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Mãe denuncia que motorista de app se recusou a levar criança autista em BH

Mulher pretendia voltar para casa após ir a uma consulta médica no posto de saúde com a filha, de 2 anos, e solicitou a corrida por meio de uma plataforma

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Mãe denuncia que motorista de app se recusou a levar criança autista em BH • Roberto Dziura Jr/AEN-PR

A profissional autônoma Elisa Albuquerque, de 37 anos, denunciou que não conseguiu realizar uma corrida por aplicativo após se desentender com um motorista parceiro da plataforma Uber. A situação, que ocorreu na última terça-feira (14) no bairro Vila Jardim São José, na Região da Pampulha, em Belo Horizonte, viralizou nas redes sociais depois que Elisa compartilhou um vídeo relatando o que passou. Em entrevista à Itatiaia, a mulher disse que o homem não ligou o carro depois que ela e a filha de dois anos entraram no carro.

“Ele já estava olhando pro lado da janela dele e não ligou o carro. Aí ele falou assim: ‘não, pode cancelar a corrida, eu não vou levar você com essa criança, não’. Eu lembro que eu fiquei congelada. Minha filha não tava chorando, não tava suja nem nada”, afirmou.

Enquanto tentava processar a situação, a mulher disse que olhou para a filha e lembrou que ela estava com o colar de identificação do autismo (cordão com símbolo do quebra-cabeça).

“Aí eu me toquei que ela estava agarradinha com o colar, porque como ela tinha ficado nervosa, então eu, lá dentro do consultório, entreguei para ela o colarzinho, ela pôs no pescoço. Então ela estava segurando no colar, tanto que na filmagem ela estava o tempo inteiro segurando no colar. E nisso eu entendi. Só que até pra mim, ali, tudo bem, eu peguei e saí do carro. Quando eu saí do carro, eu me senti muito pequena, porque eu nunca tinha passado por uma situação dessa”, contou.

Após a fala do motorista, a mulher saiu do veículo e bateu a porta, o que motivou o início de uma nova discussão entre ela e o motorista. A Itatiaia teve acesso a uma gravação que mostra o momento. Em um determinado trecho, a mulher diz que o motorista não quis seguir viagem pois a filha dela era autista e o homem responde: “Você que é autista”.

“Quando ele falou essa palavra eu entendi o preconceito que ele veio com a minha filha, o porquê que ele não queria levar a gente. Porque se ela não estava chorando, ela não estava com crise nenhuma, não estava suja, não estava nada, estava no meu colo… e em momento algum ele virou e falou: ‘eu não vou levar porque eu não tenho uma cadeirinha’. Sabe, ele não chegou a falar isso em momento algum”, afirmou.

Vale ressaltar que, conforme lei 14.071, de 2020, regulamentada pela Resolução Contran 819, em vigor desde 12 de abril de 2021, toda criança com mais de 1 ano e menos de 4 anos, ou até 18 quilos, deve ficar em uma cadeirinha enquanto é transportada em um carro. Além disso, conforme norma da Uber, ao viajar com crianças, é responsabilidade do passageiro providenciar a cadeirinha adequada.

Em nota, a plataforma Uber, responsável pelo intermédio da corrida solicitada por Elisa, afirmou que a interação entre o motorista parceiro e a usuária foi gravada por meio da ferramenta de gravação de vídeo no celular do parceiro e reportada por ele.

“Após análise da mídia pelo suporte da plataforma, foi verificado que não houve recusa de viagem pelo motorista. A Uber lamenta a discussão e permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar, nos termos da lei”, disse.

Questionada sobre o teor da interação entre motorista e passageira, a plataforma disse não ter tido tempo hábil para apurar essa questão. O conteúdo da matéria será atualizado quando essa resposta chegar.

A situação deixou Elisa bastante abalada. Após o ocorrido, ela registrou um boletim de ocorrência e reportou a situação à Uber. A Itatiaia questionou se a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) investiga o caso e aguarda retorno.

“Eu tô quebrada. Dói na gente. Eu me senti pequena e inútil. (...) Quando aconteceu comigo, a minha reação foi meio que ficar paralisada. Eu me senti inútil. Naquele momento, eu não consegui defender ela”, afirmou.

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Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo