Mais de 70% das cidades mineiras não têm transporte coletivo, diz relatório do TCE
Dados do Relatório de Monitoramento da Mobilidade Urbana do Tribunal de Contas do Estado apontam a falta de planejamento como uma das raízes dos números negativos em Minas

Quase três em cada quatro cidades mineiras não contam com transporte público municipal. O dado revelado pelo Relatório de Monitoramento da Mobilidade Urbana divulgado nesta quinta-feira (16) pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) aponta que 72,2% dos municípios não têm um sistema de coletivos. O estudo foi feito com base em dados extraídos no Índice de Efetividade da Gestão Municipal (IEGM) de 2024.
A carência dos modelos revela um cenário que se mostra precário mesmo nas cidades onde existe transporte público municipal, apenas metade fixou metas de desempenho e qualidade para monitorar o serviço oferecido.
A fiscalização também se mostrou um fator amplamente deficitário de acordo com o relatório. Nos municípios onde há metas e previsão de penalização em caso de não cumprimento dos objetivos, 81,6% dos gestores não sancionam as empresas responsáveis pela oferta do transporte coletivo.
Planejamento
O relatório aponta que a falta de planejamento é a causa principal dos problemas relacionados ao transporte no estado. Apenas 12,2% dos municípios elaboraram e concluíram seu Plano de Mobilidade Urbana. Mesmo em cidades obrigadas a fazê-lo por lei, apenas 40,7% concluíram um projeto na área, o que pode acarretar em bloqueio no acesso a recursos federais.
Em relação à segurança, o estudo mostra que 73% das cidades realizam intervenções de sinalização apenas em parte das vias, enquanto apenas 21,5% possuem sinalização integral.
O relatório é feito pelo TCE em parceria com o Centro de Excelência Jean Monnet da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), por meio do Observatório de Políticas Públicas Sustentáveis.
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.



