Itatiaia

Taxistas denunciam insegurança em conflito com perueiros por ponto na Praça do Cardoso

Motoristas clandestinos não estariam gostando de os táxis pararam no mesmo ponto que eles, segundo taxistas

Por e 
Motoristas clandestinos não estariam gostando de os táxis pararam no mesmo ponto que eles, segundo taxistas • Imagens cedidas à Itatiaia

Taxistas denunciam insegurança relacionada a conflito com perueiros por ponto na Praça do Cardoso, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. De acordo com a categoria, os motoristas clandestinos não concordam com a possibilidade dos táxis pararem no mesmo ponto que eles.

O conflito foi o estopim para uma briga física na Praça do Cardoso entre um taxista e um perueiro nesta terça-feira (1°). Um vídeo obtido pela Itatiaia mostra o momento em que a confusão ocorre (veja no fim da matéria).

Em entrevista à Itatiaia, o motorista de táxi que aparece nas imagens alegou que estava chegando no ponto quando viu o perueiro e decidiu não parar no local. “Ele ligou o carro e desceu atrás de mim. Eu estava descendo na Praça do Cardoso, ele pegou alguma coisa e jogou na minha traseira”, afirmou.

Diante dos ataques, o taxista contou que foi tentar fazer um registro de ocorrência.

“Eu falei assim: vamos lá ver se teve algum dano. Aí nós fomos lá, os policiais, os dois policiais, eu e o clandestino. Depois disso, eu estou conversando com o policial, do nada ele vem e chutou a minha perna, do nada, com os policiais do lado. Eu não aguentei, entrei em luta corporal com ele. Depois de um certo tempo a gente parou e os policiais também não fizeram nada, não apaziguaram, ninguém apaziguou”, disse.

Ainda segundo o trabalhador, em outro momento, o suspeito cerceou o taxista, tirou um objeto cromado e “falou que iria furar ele todo".

“Eu não sabia se era uma faca ou o que era. Eu arranquei o carro, na hora que eu arranquei, ele saiu correndo atrás do meu carro, chutou a lateral do meu carro. Nessa mesma hora eu corri no trânsito da Afonso Pena”, afirmou.

O taxista relatou que o outro motorista corria atrás dele quando ambos viram uma viatura.

“Eu falei assim: ele está com alguma coisa perfurante lá. Aí eles viram que ele estava com a chave de fenda e prendeu ele e trouxe aqui para fazer a ocorrência. Foi constatado que ele estava com essa chave de fenda ameaçando”, disse.

Medo entre os taxistas

Ainda em entrevista à Itatiaia, o taxista denunciou que muitos trabalhadores estão com medo de trabalhar no Ponto do Cardoso.

“A gente é legalizado e não pode trabalhar, o que a gente vai fazer? Tem muitos que não estão indo para lá de medo, de medo deles, porque todos eles estão ameaçando, todo mundo, e aonde vai parar isso? Até a hora que um furar o outro e matar o outro. Aí vai ser tarde demais, eu sou pai de família, eu preciso cuidar da minha família, e eu não sei se eu posso trabalhar mais”, disse.

Já o Jomar Teixeira do Santos, taxista há 22 anos, explicou que a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) estendeu a rota do táxi Lotação, mas não estabeleceu um ponto específico. Ele defende que esse ponto poderia dar mais segurança para os taxistas.

“Daria um amparo melhor para a gente, porque teríamos um lugar para parar lá, talvez até ficar livre das ameaças desse cidadão que faz esse transporte lá há algum tempo. A partir do momento que liberou essa extensão da rota do Táxi Lotação até a Praça do Cardoso, a gente passou a bater de frente com eles”, explicou.

Em nota, a Superintendência de Mobilidade de Belo Horizonte informou que o trajeto opera atualmente em caráter experimental. “A oficialização da rota e a respectiva sinalização do itinerário dependem da publicação da Portaria, que está em fase de tramitação”, escreveu o órgão.

De acordo com o diretor institucional do Sindicato dos Taxistas de Minas Gerais, Carlos Roberto Luiz Fernandes, algumas reuniões já foram realizadas com a pasta, mas a categoria ainda não teve resultado na definição do ponto na Praça do Cardoso.

“Enquanto isso não acontece, o que tem ocorrido diariamente é esse conflito entre o serviço do Táxi-Lotação, que é um serviço regulamentado que leva a segurança para a população, com o transporte clandestino, onde os taxistas estão sendo todo dia sendo ameaçados e, às vezes, até entrando em via de fatos por conta dessa opressão do transporte clandestino em cima do transporte regulamentado”, disse.

Veja o vídeo:

Por

Amanda Antunes cursou jornalismo no Unileste (Centro Universitário Católica do Leste de Minas Gerais), com graduação concluída na Faculdade Estácio, em Belo Horizonte. Em 2009, começou a estagiar na Rádio Itatiaia do Vale do Aço, fazendo a cobertura de cidades. Em 2012, chegou à Itatiaia Belo Horizonte. Na rádio de Minas, faz parte do time de cobertura policial - sua grande paixão - e integra a equipe do programa ‘Observatório Feminino’.

Por

Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo

 

 

Belo Horizonte