Supermercado é condenado a pagar R$ 10 mil para funcionária vítima de ofensas racistas
Órgão considerou que a empresa foi omissa por não agir adequadamente para proteger a empregada

Um supermercado de Minas Gerais foi condenado pelo Tribunal Regional do Trabalho a pagar uma indenização de R$ 10 mil a uma funcionária que sofreu discriminação no ambiente de trabalho. O órgão considerou que a empresa foi omissa por não agir adequadamente para proteger a empregada. A vítima chegou a denunciar ao gerente do estabelecimento que era apelidada por um colega com termos, como "escurinha", "neguinha" e "resto de asfalto".
Leia mais:
- Estudantes da PUC-SP fazem ofensas racistas e aporofóbicas contra alunos da USP; veja vídeo
- CBF adota protocolo antirracismo em todo o país, e Vini Jr comemora feito
- Portuguesa é condenada por racismo contra filhos de Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso; veja pena
Contudo, a juíza Luciana Nascimento dos Santos, alegou que a situação constituía injúrias raciais graves e que feriram a dignidade da profissional. Ela também considerou que o supermercado foi omisso ao tratar o caso como algo trivial.
“Importante destacar que a discriminação racial, independentemente do dolo do agente e da susceptibilidade psicológica da vítima, é uma agressão grave, que fere direitos de personalidade e causa dano in re ipsa, sobretudo em uma análise do caso sob perspectiva de gênero, considerando que a autora, uma mulher negra, se insere em grupo vulnerável e historicamente discriminado, o que torna ainda mais grave a omissão patronal, circunstância que deve ser considerada no arbitramento da indenização", considerou a magistrada.
Ana Luisa Sales é jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na Itatiaia desde 2022, já passou por empresas como ArcelorMittal e Record TV Minas. Atualmente, escreve para as editorias de cidades, saúde e entretenimento



