Rua histórica do bairro Lagoinha, em BH, ganha mural de artista italiano
Millo, um dos principais nomes da arte urbana mundial, desembarcou na capital mineira a convite do Consulado da Itália

O berço da boemia, o bairro Lagoinha, na região Noroeste de Belo Horizonte, ganhou cor com a nova obra do artista italiano Millo, um dos principais nomes da arte urbana mundial. A empena de 200m² fica na rua Itapecerica, 508, em um galpão de mercadorias apreendidas da Receita Federal. A imagem representa a venda de sucatas, a reciclagem e a população de um dos bairros mais antigos da cidade.
O mural ficou pronto no último domingo (22) e é uma ação do Consulado da Itália na capital mineira, em parceria com a Pública, agência de arte de Juliana Flores, uma das idealizadoras de importantes projetos culturais, como o Circuito Urbano de Arte (Cura). A realização também contou com o apoio do Viva Lagoinha e Prefeitura de Belo Horizonte (PBH).
Para entender melhor a escolha do local, é preciso voltar no tempo. “Quando a Pública recebeu o convite do Consulado da Itália para realizar um mural na cidade, logo pensamos no bairro Lagoinha. Não só por ser esse bairro o berço da história e da cultura de Belo Horizonte, mas também por ser o bairro que recebeu os italianos quando vieram na época da construção da cidade”, contou.
Esses imigrantes trabalharam na construção da nova capital, inaugurada em 12 de dezembro de 1897. Naquela época, dois rios, hoje canalizados, se encontravam nessa área e formavam uma lagoa, vindo daí o nome “Lagoinha”.
A escolha do artista aconteceu, também, por uma grande coincidência, segundo Flores. "Millo veio primeiro para o Mostra de Arte Pública (Mapa), em Itabira. E ele era o grande sonho de Felipe Tales, do projeto Viva Lagoinha, parceiro da Pública, para o bairro. Foi um encontro de muitas coincidências e desejos de ver o bairro ocupado, feliz, próspero e efervescente”, finalizou.
Millo, nome artístico de Francesco Camillo Giorgino, pinta murais em grande escala que mostram habitantes amigáveis explorando seu ambiente urbano. Nesse caso, usou das linhas em preto e branco no cenário ao fundo, destacando, coloridas, as roupas de um homem e uma grande sacola com recicláveis.
Outros grafites começaram a enfeitar os arredores após a edição especial do Cura em 2019. Em um deles, um paredão e 15 metros ganhou as cores e bolinhos da mineira Raquel Bolinho.
Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.
