Que semana confusa, não?
Nunca foi fácil amar quem está por perto! Ainda mais se essa pessoa ecoa o que não está aceito dentro de nós

A gente está se acostumando a odiar. Essa é constatação, ao alcance de um clique. Foi mais uma semana confusa, entre "venenos" e "botas de python", não faltou barraco! São os idos do clima natalino. E nem se trata da "ânsia" do comércio e dos enfeites vermelhos. Estamos falando do "cheirinho de confusão" próprio das festas em família, do fim de ano, quando o álcool sobe na cabeça e na língua florescem as verdades.
Olha: as diferenças do "outro" sempre foram um insulto! Via de regra, desde muito cedo, até irmãos se estranham. É tendo que dividir o quarto, descobrindo que um banheiro individual não está inscrito na declaração de "direitos humanos" que a gente dá vazão a sentimentos não tão bons. A vida é conflito (Nietzsche). O outro é um inferno (Sarte). A gente acha que é na infância que estão as piores confusões entre irmãos, até que passa a ter cunhados...
Nunca foi fácil amar quem está por perto! Ainda mais se essa pessoa ecoa o que não está aceito dentro de nós. A gente antipatiza com quem nos rivaliza. Se na natureza os animais se devoram por instinto para sobreviver, na sociedade o ódio ao diferente sempre foi um fator de agregação.
Seria muito cínico depois das guerras no mundo antigo, das invasões de Roma ou dos Bárbaros, depois de Auschwitz dizer que a gente sabe "amar". Não, a história humana, e até "cristã, tem muito ódio e "fratricídio" envolvido.
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A grande questão é que a atuação do "ódio”, depois da era digital, em que a Internet empoderou imbecis (Humberto Eco). Estamos chegando a níveis paranoicos e cada vez mais perigosos. Em nossas narrativas e interesses conflitantes. Estamos chegando a níveis baixíssimos de civilidade, de humanidade.
Ninguém está dizendo que a gente tem que se gostar! Não mesmo! Tem gente que é insuportável, e "tá tudo bem". Há pessoas que a gente quer ver bem, bem longe... Sim, existem crianças lindas, mas em todo prédio tem um "capeta batizado". A questão, todavia, é que sem acordos mínimos (talvez um pouco cínicos) vai todo mundo perder.
Seria excelente apelar à nossa alma cristã. Jesus foi um cara bacana e insistiu na necessidade de nos amar uns aos outros (Jo 15, 12). O amor é o ideal, é aquilo pelo que os que creem aspiram, é o ponto mais alto da "evolução espiritual". Nem chega a isso! Estamos falando, aqui, de doses mínimas de respeito, de inteligência emocional, de empatia!
Essa é a base de uma sociedade normal. Sem a capacidade de discordar sem brigar, brigar sem desconfiar, desconfiar sem difamar, estamos perdidos. Ou a gente aprende a apreciar diferenças e compor com divergências ou tudo vai terminar muito mal.
Se persistirem os sintomas de que nossas ideias, de que nossa "denominação", de que nosso partido é a "salvação" da pátria, talvez seja a hora de aumentar o número de visitas ao "divã".
Oremos! Vigiemos! Oxalá Deus nos salve de nós, dos nossos discursos lindos, de nossa "maldade" de cidadãos de bem, de defensores das árvores da Amazônia e de gente boa...
Pró-reitor de comunicação do Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade. Ordenado sacerdote em 14 de agosto de 2021, exerceu ministério no Santuário Arquidiocesano São Judas Tadeu, em Belo Horizonte.



