Primeiro desfile de noivas com síndrome de down emociona público em BH: 'realização de um sonho'
Ação celebra o Dia Internacional da Síndrome de Down, comemorado neste 21 de março; participantes subiram à passarela com vestidos assinados pelo estilista mineiro Giulliano Oliva

Emocionada, a mãe de Stephanie, a dona de casa Cleide Costa, de 55 anos, acompanhou de perto a filha na passarela. Para ela, a história de Stephanie é a prova de que pessoas com síndrome de down podem realizar tudo o que desejam e que a condição não é um impeditivo.
"Quando ela nasceu, a gente toma aquele susto. A gente pensa: 'vou ter uma filha que vai ser uma princesa, vai fazer faculdade...'. Aí nasce com síndrome de down e vai tudo por água abaixo. Eu fiquei três meses de luto, mas aí joguei para cima e falei: 'agora nós vamos lutar'. Mas graças a Deus a Stephanie sempre estudou em escola regular, fez curso técnico de recepcionista, está trabalhando e tem o salário dela. Ela tem uma vida normal. Ela realizou todos os sonhos dela", contou.
Além do público presente, o desfile emocionou o criador das peças, o estilista Giulliano Oliva. "Foi emocionante ver elas desfilando. Elas passaram com tanta emoção, tanto carinho. Muitas lágrimas aí. Estou muito emocionado. Eu fiquei muito feliz de de poder participar. Eu só tenho a agradecer", disse o estilista com a voz embargada.
Para Giulliano, o vestido de noiva representa o sonho de se casar, mas também a independência das modelos.
"Eu tratei o desfile como se elas fossem verdadeiras princesas vestidas de noiva. Então, elas escolheram as roupas e participaram das provas como modelos. Teve o dia da noiva, os acessórios... A gente vê aqui uma realização de sonhos. Hoje elas subiram ao altar, elas casaram com elas mesmas. Elas saíram daqui casadas com o amor próprio. Isso é o mais importante", comentou.
A idealizadora do desfile, Iracema Machado, diretora e uma das fundadoras do Instituto Viva Down, afirma que se vestir de noiva é um grande sonho das mulheres em geral e que isso não muda com a síndrome de down.
"O sonho delas é se casar. Tem duas que são realmente noivas e várias tem namorado. Então, a gente fez acontecer como se fosse realmente um casamento. Elas chegaram até perguntar se o namorado poderia desfilar junto. É realizar o sonho de mulheres, independentemente se elas tem ou não deficiência", disse.
Iracema ainda acredita que a ação possa abrir espaço para que outros desfiles de moda com modelos com deficiência aconteçam na cidade.
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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.


