Belo Horizonte
Itatiaia

Preso com cocaína e crack, policial civil suspeito de vazar fotos de Marília Mendonça é solto pela Justiça

Juíza da 1ª Vara Criminal e de Execuções Penais da Comarca de Santa Luzia entendeu que a quantidade de droga não era ‘exorbitante’

Por
Policial investigado por vazar foto foi preso com droga, mas não ficou na cadeia
Policial investigado por vazar foto foi preso com droga, mas não ficou na cadeia • Reprodução/ Google Maps

O investigador da Polícia Civil de Minas Gerais suspeito de vazar fotos da autópsia de Marília Mendonça já está em liberdade. O policial, de 48 anos, foi preso em flagrante por suspeita de tráfico de drogas na última segunda-feira (22), durante cumprimento de mandado de busca e apreensão no caso que investiga o vazamento. No carro dele, os policiais encontraram cocaína (42 pinos), crack e maconha. No entanto, a juíza Arlete Aparecida da Silva Coura, da 1ª Vara Criminal e de Execuções Penais da Comarca de Santa Luzia, considerou que ele não precisava continuar na cadeia.

“As circunstâncias em que os delitos supostamente foram cometidos e as condições pessoais do flagrado não evidenciam, de forma concreta, a necessidade de submetê-lo, ao menos por ora, ao cárcere, medida cautelar mais severa. O investigado é primário e não possui registros criminais”, diz trecho da decisão. A magistrada não considerou a quantidade de droga ‘exorbitante’.

“Além do mais, é de se destacar que os documentos amealhados aos autos atestam que apesar de a quantidade de drogas ilícitas apreendidas não ser insignificante – uma bucha e um cigarro de maconha, dez pedras de crack e 45 pinos com cocaína -, também não é exorbitante, sendo certo que tal situação demonstra que, ainda que se trate de narcotráfico, não seria de grande proporção, ou seja, a potencialidade lesiva da conduta não pode ser considerada como das mais elevadas”, destaca.

Com a decisão, o policial deixou a Casa de Custódia da Polícia Civil na tarde dessa terça-feira (23).

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (SEJUSP) e a Polícia Civil se manifestaram sobre a soltura. Confira:

SEJUSP:
Foi desligado da unidade prisional Casa de Custódia da Polícia Civil no dia 23.5.2023, mediante alvará de soltura concedido pela Justiça. Vale ressaltar que essa unidade prisional é de administração da Polícia Civil. Portanto, para mais informações, sugerimos que apure junto à Ascom PCMG.

Polícia Civil:
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informa que mais informações serão repassadas após a conclusão dos trabalhos investigativos.

25 anos

A Polícia Civil informou à Itatiaia que a investigação sobre o vazamento de fotos da cantora segue na corregedoria.

Além do policial, que tem 25 anos de carreira, uma funcionária do setor de toxicologia do Instituto Médico-Legal de Belo Horizonte é investigada pelo vazamento das fotos de Marília Mendonça.

Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informa que a Corregedoria-Geral vem realizando todas as diligências cabíveis para identificar o usuário que deu causa ao vazamento ‘do laudo pericial’.

“A investigação encontra-se em seu curso regular, buscando a elucidação do caso para a devida responsabilização administrativa e criminal dos envolvidos. A PCMG salienta que não coaduna com a prática de condutas ilícitas e buscará dar a resposta adequada à sociedade, no menor prazo possível”, diz o texto.

Documento

A Itatiaia teve acesso ao documento que ratificou a prisão do investigador. O texto destaca que a droga estava em uma pochete no porta-malas do carro. O policial alegou que a droga foi deixada no veículo por um desafeto, mas a versão não convenceu.

“A narrativa do conduzido, no sentido de atribuir responsabilidade a um servidor com o qual teria tido desavenças, parece inconsistente e requer diligências para confirmar sua veracidade. Por outro lado, a considerável quantidade de substância entorpecente encontrada, especialmente os 45 pinos de cocaína embalados com evidente intenção de venda, são elementos que pesam contra o conduzido e são indiscutíveis neste momento”, diz trecho do documento

“É relevante ressaltar que o próprio conduzido admitiu ter conhecimento de que a droga estava em seu veículo, pelo menos desde ontem, o que não parece condizente com a conduta esperada de um experiente policial com 25 anos de serviço”, conclui.

Caratinga

Considerada rainha da sofrência, Marília Mendonça morreu no dia 5 de novembro de 2021, após o avião que levava a sertaneja para um show na cidade da região do Vale do Rio Doce de Minas cair.

Horas depois do acidente, o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais confirmou que Marília Mendonça estava entre as vítimas. Também morreram o produtor da cantora, Henrique Ribeiro, e seu tio Abicieli Silveira Dias Filho, além do piloto e o co-piloto.

Cenipa

O avião de Marília Mendonça bateu em torres não sinalizadas, mas avaliação errada do piloto na hora do pouso pode ter contribuído para o acidente que matou cinco pessoas. Essas são as conclusões divulgadas, no dia 15 de maio, pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Ao contrário do que disse o advogado da família de Marília Mendonça, Robson Cunha, o documento não descarta falha humana.

*Colaboração de Larissa Ricci, Enzo Menezes e Oswaldo Diniz

Por

Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está como editor de Cidades, Brasil e Mundo.