Polícia investiga esquema de fraude em exames de legislação de trânsito em BH
Instrutor de auto escola e funcionários do UAI Venda Nova são alvos de investigação; cada candidato pagava até R$ 3 mil para ter as respostas da prova

A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quarta-feira (3), uma operação para investigar um suposto esquema de fraude em exames de legislação de trânsito em Belo Horizonte. Ao todo, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão. A polícia já identificou ao menos 30 pessoas que foram beneficiadas pelo esquema.
Os mandados têm como alvo uma auto escola investigada, um funcionário ligado a outra auto escola, além de cinco funcionários terceirizados do UAI (Unidade de Atendimento Integrado), na região de Venda Nova - local onde são feitas as provas de legislação para a obtenção ou renovação da CNH. Atualmente, a prova é feita de forma eletrônica, em um computador do órgão.
Como o grupo operava?
Segundo o delegado Gabriel Fonseca, da 1ª Delegacia de Polícia Civil de Venda Nova, o esquema funcionava da seguinte forma: primeiramente, o instrutor da auto escola avisava aos funcionários do UAI quem havia pagado para ter ajuda na prova. Depois, quando o candidato se posicionava no computador, o fiscal ficava atrás dele e indicava a alternativa correta com um apontador a laser.
Policiais encontraram o apontador utilizado para fraudar a prova na casa de um dos investigados. Ainda de acordo com o delegado, câmeras de monitoramento flagraram toda a dinâmica dos fiscais do UAI.
Candidatos pagavam até R$ 3 mil por fraude
O delegado ainda explica que pelas regras de aplicação da prova, os fiscais não deveriam ficar em pé na sala, nem utilizar relógios ou celulares. Porém, as imagens mostram os investigados usando o telefone para receber a informação de quem seriam os candidatos que seriam beneficiados. Segundo a investigação, para ter acesso às respostas da prova, cada candidato pagava entre R$ 2 mil a R$ 3 mil reais por exame.
Até o momento, os policiais identificaram cerca de 30 pessoas que teriam sido beneficiadas pelo esquema em 2023. Mas os policiais acreditam que, com o avançar das investigações, mais candidatos apareçam. "Esse número pode aumentar. Esses 30 são todos do ano passado. É um corte que foi feito só de 2023, mas esses funcionários já trabalham no UAI Venda Nova há quatro anos aplicando provas. Então, pode ser que o esquema alcance mais pessoas", explicou Fonseca.
Entre os candidatos beneficiados, a polícia descobriu que uma parte sequer morava em Venda Nova, ou até mesmo Belo Horizonte. Por não ter endereço fixo na região, eles sequer poderiam realizar o exame na unidade investigada. Para burlar o sistema, os funcionários do posto inseriam endereços fictícios.
Segundo o delegado, os investigados podem responder por corrupção ativa e certame de interesse público. A Polícia Civil já ouviu alguns envolvidos, que confessaram a participação no esquema criminoso. Outros que não moram em Belo Horizonte ainda prestarão depoimento.
Participe dos canais da Itatiaia:
Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.


