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PF faz exumação de corpo de brasileiro que estaria entre 72 mortos em massacre no México em 2010 

Em 2010, bolsas de corpos foram encontradas em San Fernando, Tamaulipas, México, de estrangeiros que tentavam chegar aos Estados Unidos 

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O objetivo é identificar se os restos mortais seriam de um brasileiro que estaria entre os mortos em uma chacina ocorrida no México
O objetivo é identificar se os restos mortais seriam de um brasileiro que estaria entre os mortos em uma chacina ocorrida no México • PF/ reprodução

A Polícia Federal (PF) de Governador Valadares deslocou na tarde dessa segunda-feira (2) uma equipe para realizar a exumação de um corpo enterrado no cemitério no Vale do Rio Doce que se acredita ser o corpo de um dos brasileiros vítima do massacre no México que deixou 72 mortos há 13 anos.

A exumação foi um pedido feito pela Cooperação Jurídica Internacional em matéria penal feito pela Procuradoria-Geral da República do México ao Ministério Público Federal, com o objetivo de fazer uma perícia, em conjunto com equipe multidisciplinar enviada pelo México, para confirmar a identidade da vítima.

Em 2010, dezenas de corpos foram encontrados em San Fernando, Tamaulipas, México, de estrangeiros que tentavam chegar aos Estados Unidos (EUA), dentre eles, quatro brasileiros.

Conforme a Polícia Federal (PF), na época, um sobrevivente disse que eles foram sequestrados por um grupo armado que lhes ofereceu trabalho como sicários, quando tentavam viajar em direção aos EUA. Eles recusaram e foram mortos.

A corporação informou que “houve confusão na entrega dos restos mortais à família” — fato que não foi esclarecido pela PF — quando o corpo chegou às terras brasileiras em uma caixa fechada. Os familiares foram impedidos pelas autoridades mexicanas de fazer o reconhecimento.

Em 2013, familiares pediram a revisão da identificação. Conforme a PF, a solicitação foi atendida pela comissão forense que entregou o relatório em 2019 ao Ministério Público e, posteriormente, à família em 2021. No relatório, a Comissão diz não contar com elementos suficientes para confirmar a identificação.

"Sendo assim, a exumação servirá para que seja feita a comparação entre amostras biológicas coletadas dos restos mortais e aquelas fornecidas, voluntariamente, pelos parentes diretos, para se chegar à conclusão da causa mortis", explicou a PF.

Agora, a partir da coleta de material biológico de familiares, será possível fazer o cruzamento de dados e confirmar se a pessoa enterrada na cidade mineira é mesmo uma das vítimas do massacre.

Relembre a história

Em agosto de 2010, conforme a AFP, foi confirmado que os corpos de quatro cidadãos brasileiros estavam entre os 72 assassinados encontrados no dia 24 em um rancho do estado mexicano de Tamaulipas (noroeste).

As autoridades mexicanas explicaram que, entre as vítimas, estavam cidadãos de Brasil, El Salvador, Honduras e Equador, sendo que 14 eram do sexo feminino.

Os imigrantes ilegais estavam tentando cruzar a fronteira com os Estados Unidos, quando foram interceptados pelo crime organizado.

Ainda conforme a AFP, o estado era palco de grandes disputas entre o cartel do narcotráfico Golfo e os antigos aliados, Los Zetas. Esses seriam liderados por soldados de elite, sendo acusados pela autoridade de serem os responsáveis por cometer massacres e praticar sequestros em massa de imigrantes ilegais.

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Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.