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Peritos e bombeiros detalham impacto da lama e falhas em simulado no julgamento de Brumadinho

Depoimentos desta segunda-feira reforçam força do rompimento e levantam questionamentos sobre preparo prévio para emergências

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Audiências fazem parte da fase de instrução do processo, etapa dedicada à produção de provas e à oitiva de testemunhas • Hudson Alves / TRF-6

As audiências do processo criminal sobre o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, avançaram nesta segunda-feira (06) com depoimentos de peritos e integrantes do Corpo de Bombeiros que atuaram diretamente na tragédia.

O primeiro a depor foi João Batista Rodrigues Júnior, chefe da Seção de Perícia do Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte. Ele relatou ter participado de necropsias das vítimas e destacou a presença de grande quantidade de lama nos corpos. Segundo o perito, a força do material indica que muitas mortes podem ter ocorrido de forma rápida, embora a avaliação sobre sofrimento seja subjetiva.

Na sequência, o tenente-coronel Eduardo Ângelo Gomes da Silva, do Corpo de Bombeiros, apresentou detalhes da atuação da corporação desde o dia do rompimento até janeiro de 2020. Ele explicou como foi mobilizado o efetivo nos primeiros dias e destacou o trabalho de aproximação entre as equipes de resgate e os familiares das vítimas, além das mudanças nos protocolos e treinamentos adotados após a tragédia.

O terceiro depoimento do dia foi do capitão Leonardo Farah, também do Corpo de Bombeiros. Ele contou que esteve na mina em 2018 para um simulado e que, na ocasião, questionou o tempo de evacuação da área em caso de rompimento. Segundo Farah, um gerente respondeu que o tempo seria “zero zero”, indicando pouquíssimo intervalo para fuga. O capitão afirmou que sugeriu a retirada de pessoas da área de risco.

Farah também relatou que, ao ser acionado no dia do desastre, tentou aplicar estratégias semelhantes às utilizadas no rompimento de Mariana, com foco em salvar o maior número possível de pessoas. No entanto, nas buscas iniciais, afirmou que não conseguiu localizar sobreviventes e resgatou apenas um cão.

As audiências fazem parte da fase de instrução do processo, etapa dedicada à produção de provas e à oitiva de testemunhas, que busca esclarecer responsabilidades pelo rompimento da barragem, que deixou 272 mortos em janeiro de 2019.

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Graduado em jornalismo e pós graduado em Ciência Política. Foi produtor e chefe de redação na Alvorada FM, além de repórter, âncora e apresentador na Bandnews FM. Finalista dos prêmios de jornalismo CDL e Sebrae.