Paciente com distrofia muscular perde consulta após impasse em transporte na Grande BH
Mulher precisava de atendimento com neurologista no Hospital das Clínicas, em BH; prefeitura afirma que deslocamento não ocorreu por falta de condições de segurança

Uma paciente com atrofia muscular espinhal perdeu uma consulta com um neurologista especialista no Hospital das Clínicas, em Belo Horizonte, após um impasse com a equipe responsável pelo transporte sanitário de São Joaquim de Bicas, na Região Metropolitana da capital. O caso ocorreu na segunda-feira (19), quando a paciente tinha atendimento agendado na unidade de saúde.
Segundo relato da paciente e de sua cuidadora, uma ambulância foi enviada para realizar o transporte, mas o motorista e a técnica de enfermagem decidiram não fazer o deslocamento por considerarem que não havia condições adequadas de segurança. A mulher necessita de suporte ventilatório e afirma que precisa permanecer na própria cadeira para receber o apoio necessário durante o trajeto.
A cuidadora relata que a posição permite que a paciente utilize o suporte respiratório e, quando necessário, beba água ou receba auxílio para realizar manobras que facilitem a tosse. Por isso, segundo ela, o transporte precisa ser adaptado às necessidades específicas da paciente.
Prefeitura explica
Em nota, a Prefeitura de São Joaquim de Bicas informou que a paciente e a acompanhante recusaram as alternativas de acomodação apresentadas pela equipe. Segundo a administração municipal, foram oferecidas opções como maca ou assento apropriado, com dispositivos de segurança, mas as duas solicitaram que o deslocamento fosse feito com a paciente em sua própria cadeira, segurada pela acompanhante.
A prefeitura afirmou que a equipe entrou em contato com a coordenação do serviço, que orientou a não realização do transporte enquanto não houvesse condições adequadas de segurança. Segundo o município, a contenção manual da cadeira por uma acompanhante não substitui os dispositivos apropriados de fixação e proteção durante o deslocamento em veículo.
A cuidadora também relatou que outra paciente que estava na ambulância seria levada para um procedimento médico e teria sido prejudicada pela situação. Sobre esse ponto, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que as orientações operacionais do serviço não autorizam o transporte simultâneo de dois pacientes na mesma ambulância.
Confira um trecho da nota na íntegra: "A Prefeitura ressalta que a medida não representou uma recusa arbitrária de atendimento, mas uma decisão técnica baseada na impossibilidade de realizar o deslocamento com a segurança necessária. A contenção manual da cadeira por uma acompanhante não substitui os dispositivos apropriados de fixação e proteção durante o transporte veicular"
Prefeitura diz que ocorrência foi registrada
Ainda conforme a administração municipal, a técnica de enfermagem registrou a ocorrência no livro de transportes da unidade. A Polícia Militar também foi acionada e compareceu ao local. Segundo a prefeitura, foi gerado o boletim de ocorrência.
A Secretaria Municipal de Saúde afirmou que o transporte sanitário é organizado de acordo com a finalidade do deslocamento, as condições do veículo e os requisitos de segurança aplicáveis. O município também declarou que as necessidades clínicas e funcionais dos pacientes devem ser consideradas no planejamento para identificar os recursos necessários a um transporte seguro.
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.
Estudante de Jornalismo pela PUC Minas, onde também atua como pesquisadora na área de Ciências Sociais, com interesse em comunicação política e comunicação da ciência, especialmente em suas interfaces e dimensões sociais. É técnica em Agropecuária pelo Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG). Atualmente, atua como produtora de diversos programas da Rádio Itatiaia.




