Belo Horizonte
Itatiaia

Mulher que matou marido em Ibirité relata ser vítima de violência doméstica há mais de 10 anos

'Era bastante briga, ele queria sempre bater nela e esperava a gente não estar em casa', relatou o filho da mulher suspeita de matar o companheiro na noite desse domingo (26)

Por e 
Ocorrência foi atendida no bairro Serra Dourada, em Ibirité
Ocorrência foi atendida no bairro Serra Dourada, em Ibirité • Vitor Brandão/Itatiaia

O filho da mulher presa suspeita de matar o marido, Anderson Rodrigues, de 42 anos, a facadas após uma briga nesse domingo (27), no bairro Serra Dourada, em Ibirité, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, contou à Itatiaia que o homem era agressivo e que a mãe já era vítima de violência doméstica.

“Ele era bastante agressivo com ela, falava palavras de baixo calão. Era uma pessoa bem agressiva quando bebia. Sem a bebida, ele tinha um relacionamento bom, mas com a bebida mudava totalmente e queria agredir ela”, contou Walter de Oliveira. A mãe sofria violência doméstica há mais de uma década e havia outros registros relacionados ao caso. Duas adolescentes, de 12 e 13 anos, estavam em casa no momento do confronto.

Walter descreveu que as brigas eram frequentes dentro de casa. “Por diversas vezes a gente teve que intervir. Só que chega uma hora que a gente cansa. Sempre acabava que os dois voltavam, então a gente não intervia mais. Era bastante briga, ele queria sempre bater nela e esperava a gente não estar em casa”, relatou.

Ele também contou como soube do ocorrido e tentou socorrer o padrasto. “Eu tinha acabado de chegar de um evento e estava na praça. Quando vi ela chegando, gritando, fui ver o que estava acontecendo. Quando deparei, ele estava no chão. Fui ver se ele estava respirando, já estava roxo. Entrei em desespero”, disse.

Sobre o desfecho, ele afirmou: “Foi triste porque eu não imaginaria que chegaria nesse ponto. A gente acha que nunca vai chegar. Agora é esperar que a Justiça seja feita. Ela sofria ameaças, já tinha boletins de ocorrência e medidas protetivas”, concluiu.

Discussão após volta de bar

Segundo a Polícia Militar (PM), o casal havia saído de um bar antes do crime e iniciou uma discussão ao chegar em casa. De acordo com o sargento Adalberto Ribeiro, quando os militares chegaram ao local, a vítima já estava sem vida e a mulher estava do lado de fora da residência.

“Recebemos a ligação via 190 relatando que uma mulher teria agredido seu companheiro com uma facada. Segundo a autora, ela vivia com o seu companheiro aproximadamente 15 anos. E dentro desses 15 anos, ela sofreu violência doméstica. Inclusive tem outros registros relativos ao fato”, disse.

Ainda conforme o militar, Andreia era acompanhada pela Patrulha de Prevenção à Violência Doméstica, mas havia dispensado o serviço em fevereiro deste ano.

“A Polícia Militar tem um serviço personalizado que é a patrulha de prevenção à violência doméstica. Essa patrulha fez uma visita para ela em fevereiro deste ano. E, dentro dessa visita, ela dispensou todas as providências, talvez por acreditar que as agressões não iriam se repetir”, explicou.

Segundo o relato da própria suspeita à PM, a discussão evoluiu para agressões físicas. “Já em casa, começaram a se agredir, sendo que seu companheiro começou a dar socos na cabeça dela e jogou ela no chão. Continuou as agressões e ela conseguiu se desvencilhar e foi em direção à cozinha. Lá, viu uma faca em cima da pia e, achando que as agressões iam continuar, pegou essa faca e acertou ele apenas uma vez na região do pescoço”, detalhou o sargento.

Após o golpe, Anderson tentou sair da casa. “Nisso, o companheiro saiu gritando em direção à rua, contudo caiu no corredor da residência já sem vida. E ela saiu também gritando, pedindo socorro e dizendo que havia matado o seu companheiro”, completou.

A Polícia Militar informou que a mulher demonstrou arrependimento e disse que não tinha intenção de matar, alegando que agiu para interromper as agressões.

A mulher foi levada para a delegacia de plantão em Ibirité. A reportagem entrou em contato com a Polícia Civil (PCMG) e aguarda posicionamento.

Por

Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.