Belo Horizonte
Itatiaia

BH registra mais de 15 mortes de motociclistas em apenas três meses

Mais de 8,8 mil motos entraram em circulação em 2026; cidade já registra quase 5 mil acidentes

Por
Acidente envolvendo ônibus e moto na avenida Barão Homem de Melo
Imagem ilustrativa • Anderson Porto - Drone Itatiaia

Quem dirige em Belo Horizonte pode ter a impressão de que há mais motos no trânsito — e não é só sensação. Dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de Minas Gerais mostram que, apenas em março, o número de emplacamentos de motocicletas na capital cresceu 40% em relação a fevereiro. Em 2026, mais de 8.800 novas motos passaram a circular na cidade.

O aumento da frota também acende um alerta para a segurança. Levantamento da Itatiaia, com base em informações da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp), aponta que 17 motociclistas morreram no trânsito da capital apenas no primeiro trimestre de 2026. No mesmo período, a cidade já registra quase 5 mil acidentes envolvendo motos.

Para o especialista em segurança no trânsito Osias Batista, o aumento está ligado à falta de preparo de novos condutores e ao comportamento no trânsito.

“Nós temos uma quantidade de motociclistas entrando na atividade de conduzir a moto na cidade totalmente despreparados. Sabemos que o exame de habilitação de moto é, com o perdão da palavra, é uma palhaçada. Não serve para nada. Eu chego a dizer que é criminoso a forma como eles não são preparados para dirigir”, afirma.

Ele também critica o desrespeito às leis de trânsito. “Temos um conceito muito forte na sociedade de obedecer só as leis que interessam. A pessoa entra um pouquinho na contramão, para em local proibido porque acha que não tem problema”, diz.

Outro ponto destacado pelo especialista é a relação entre motoristas e motociclistas, além da atuação de empresas que utilizam motos para trabalho.

“Há uma incompreensão entre motoristas de carro e motociclistas. Essas empresas deveriam exigir treinamento específico, já que esses profissionais estão trabalhando. Eles deviam ter mais preparo e acompanhamento. Hoje, muitos estão soltos no trânsito, fazendo o que querem”, concluiu.

Medo nas ruas 

Apesar da praticidade, quem está sobre duas rodas enfrenta um dilema entre agilidade e risco. A técnica de enfermagem Ana Carolina Gomes de Lima, de 24 anos, usa a moto há dois anos como principal meio de transporte.

“Para facilitar o trajeto e o meio de locomoção um pouco mais rápido. Apesar do perigo e tudo mais, é mais fácil, mais rápido de chegar, dependendo da distância”, conta.

Mesmo com a escolha pela agilidade, o medo faz parte da rotina. “Sim, muito medo, né? Ainda mais hoje. O trânsito tá muito cheio”, relata.

Ana Carolina já se envolveu em acidente, embora sem gravidade, e aponta a imprudência como um dos principais problemas. “Passei por uma situação de me acidentar, mas não foi nada tão grave. Mas tem sim, tem ficado difícil. As pessoas não respeitam mais as regras de trânsito. Uma coisa para evitar acidente é pilotar com cautela. Se tem algum motociclista apressado atrás de mim, eu dou preferência, deixo passar”, explica.

Por

Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na Itatiaia desde 2022, trabalhou na produção de matérias para a rádio, na Central Itatiaia de Apuração e foi produtora do programa Itatiaia Patrulha. Atualmente, cobre factual e é repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.