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Mulher presa em Betim por matar o próprio filho bebê diz que ex cometeu o crime: 'não tive culpa nenhuma'

Brenda, grávida de oito meses, nega participação no crime; Gabriel Marinho Vidal, de um ano, foi assassinado no ano passado em Goiás 

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Brenda teve a prisão preventiva decretada e estava foragida
Brenda teve a prisão preventiva decretada e estava foragida • Polícia Civil do GO/ divulgação

Brenda Cristina Vidal Marinho, 27 anos, presa suspeita de ter participado da morte do filho, Henry Gabriel Marinho Vidal, de um ano, negou o crime e disse que está grávida do quarto filho. 

“Não tive culpa nenhuma”, contou a jovem à reportagem da Itatiaia após a prisão na Vila Bemge, em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte. A polícia encontrou Brenda durante uma abordagem de rotina e descobriu que ela estava foragida.

Em 5 de maio, a Polícia Civil de Goiás apresentou o resultado das investigações, que terminaram com o indiciamento de Brenda e do padrasto Jaredy. Com isso, ela tinha um mando de prisão expedido pela Justiça de Goiás.

Segundo a investigação da polícia, Henry foi levado pelo padrasto a um hospital no dia 5 de fevereiro do ano passado. Na ocasião, Jaredy contou à equipe médica que o enteado havia caído da cama e batido a cabeça. A unidade de saúde acionou a polícia.

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Os ferimentos no corpo da vítima — lesões e fraturas nas pernas, mandíbula, boca, tórax, braços e cabeça — indicaram que a criança vinha sendo maltratada havia vários dias. A lesão mais grave ocorreu na região da cabeça, que causou a morte. 

Esse ferimento teria sido provocado por algum instrumento contundente, como pedaço de madeira, martelo ou até mesmo por socos.

Mãe estava no trabalho

Na versão da mãe, ela estava no trabalho quando tudo aconteceu. “Eu estava trabalhando quando meu ex me ligou e disse que meu filho caiu da cama. Eu estava do lado da minha patroa, ela é minha testemunha”, contou.

Na versão de Brenda, o comportamento abusivo de Jaredy levantou suspeita na versão apresentada por ele sobre o que ocorrera com a criança.

“Fiquei com aquilo na cabeça porque ele começou a me manter em cárcere. Ele não queria deixar eu sair, não deixava atender ligação”, relatou. “Comecei a desconfiar e pedi para ir pro hospital. Lá, pedi o laudo médico e vi que meu filho tinha sido maltratado”, relatou.

Brenda disse que, após ter acesso às informações médicas, tentou registrar um boletim de ocorrência. “Desci para delegacia para fazer b.o contra ele. O delegado não quis, já que tinha já um processo em aberto”, acrescentou.

Ao ser questionada pela reportagem da Itatiaia sobre as marcas pelo corpo da criança, Brenda respondeu: “Ele colocava o menino de castigo e eu brigava com ele. Henry estava com algumas mordidas. Ele falou que era na brincadeira. Só depois fiquei sabendo”, disse. 

Ela ainda disse que considerou deixar a cidade e acredita que Jaredy descobriu o plano e, por isso, agrediu Henry, no intuito de se vingar.

Indiciamento

A mãe da criança e Jaredy foram indiciados pelos crimes de maus-tratos com resultado morte (art. 136 e parágrafos 2º e 3º, do CP), com pena de até 12 anos de reclusão.

Brenda deve ser encaminhada ainda nesta manhã para a penitenciária feminina de Vespasiano, também na Grande BH.

*com informações de Oswaldo Diniz

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Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.