Mulher acusada de matar a própria mãe e a filha em BH é condenada a 56 anos de prisão
Crime ocorreu em 2023 no bairro Piratininga, na Região de Venda Nova, em Belo Horizonte

Amanda Christina Souza Pinto foi condenada a 56 anos e oito meses de prisão por ter matado a mãe, de 67 anos, e a filha, de 10. O crime ocorreu em março de 2023 no bairro Piratininga, em Venda Nova, em Belo Horizonte. O caso foi julgado nesta quarta-feira (30) no 1° Tribunal do Júri da capital mineira.
De acordo com a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Amanda matou a mãe, Maria do Rosário de Fátima Pinto, asfixiada e a filha, Agatha Alves Pinto, com cortes nos pulsos e por asfixia.
Segundo o órgão, Amanda morava com a mãe e a filha e mantinha “uma relação doméstica e familiar permeada por constantes agressões psicológicas”, além de cometer violência patrimonial contra a mãe. De acordo com a denúncia, a condenada não trabalhava e era sustentada por Maria do Rosário.
O MPMG afirma que Amanda matou a mãe porque os recursos financeiros de Maria do Rosário teriam acabado, o que impossibilitava ela de extorqui-la. Entre os dias 13 e 14 de março de 2023, no apartamento onde as três moravam, a condenada asfixiou a própria mãe, que tentou suplicar para que a filha parasse. O MPMG também afirma que o delito foi praticado mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, porque Amanda fingiu que estava demonstrando carinho para comprimir o pescoço da mãe.
De acordo com a denúncia, a ré matou a filha, de apenas 10 anos, para assegurar a ocultação do homicídio de Maria do Rosário. Inicialmente, ela convenceu a criança a não acionar a polícia, SAMU ou terceiros para socorrer a avó. Em seguida, deu para a filha fluoxetina e álcool.
Depois, ainda conforme a denúncia, a ré cortou os pulsos de Agatha com uma faca. A menina não morreu, por isso, Amanda começou a asfixiar a criança, que tentou resistir. Diante da resistência, a ré amarrou os braços da filha para trás. “A denunciada, mais uma vez, voltou a comprimir o pescoço da filha, enquanto a menor, em martírio, se debatia, inclusive chegando a urinar nas roupas”, consta na denúncia. Agatha foi morta por asfixia mecânica.
Antes de assassinar a criança, Amanda afirmou para a filha que ela só teria duas opções: ir para um abrigo ou ser morta também. “A denunciada, após matar sua genitora Maria do Rosário, usando de temor psicológico, convenceu sua filha Agatha que a melhor opção era permitir que ela, inculpada, a matasse, porquanto Agatha, acreditando que as únicas pessoas adultas que ela podia confiar não mais existiriam, visto que sua mãe Amanda Christina lhe afirmou que cometeria autoextermínio, sujeitou-se, então, aos atos impiedosos perpetrados pela denunciada, causadores de morte”, consta na denúncia.
Depois de matar a mãe e a filha, Amanda pegou o telefone de Maria do Rosário e, se passeando por ela, mandou mensagem para o patrão dizendo que não iria para o trabalho por questões de saúde.
Denunciada presa
Amanda foi presa em 16 de março. O Corpo de Bombeiros foi acionado pelos vizinhos da família, que sentiram o cheiro de gás vindo do apartamento onde Amanda, Maria do Rosário e Agatha moravam. Ao chegar no local, os bombeiros notaram que a porta estava bloqueada com argamassa e um sofá impedia a passagem. A suspeita é de que Amanda teria deixado o botijão aberto de propósito.
O que disse a ré
Em julgamento realizado nesta quarta-feira (30), a ré Amanda Christina Souza Pinto confessou ter matado a mãe idosa e a filha criança. No entanto, ela negou ter cometido o crime por causa de dinheiro, motivação apontada na denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
Em sessão do tribunal do júri realizada nesta quarta-feira, Amanda alegou que não matou as duas por dinheiro ou por ter tido empréstimos negados pela mãe. A ré afirmou que, a princípio, o intuito seria tirar apenas a própria vida, mas que não queria deixar Maria do Rosário e Agatha sozinhas e teve a “péssima ideia de levá-las junto”.
Jornalista pela PUC Minas. Na Itatiaia, escreve para Minas Gerais e Brasil. Anteriormente, trabalhou no jornal Estado de Minas como repórter de Gerais, com contribuições para os cadernos de Política, Economia e Diversidade.



