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BH: mulher confessa ter matado a mãe e a filha, mas nega ter cometido o crime por causa de dinheiro

Amanda Christina Souza Pinto está sendo julgada pelo tribunal do júri nesta quarta-feira (30); Crime ocorreu em Venda Nova, em Belo Horizonte, em março de 2023

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Amanda Christina Souza Pinto está sendo julgada pelo tribunal do júri nesta quarta-feira (30) • Divulgação TJMG

Em julgamento realizado nesta quarta-feira (30), a ré Amanda Christina Souza Pinto confessou ter matado a mãe idosa e a filha criança. No entanto, ela negou ter cometido o crime por causa de dinheiro, motivação apontada na denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Maria do Rosário de Fátima Pinto, de 67 anos, e Agatha Alves Pinto, de 10, foram mortas no apartamento onde moravam, localizado no bairro Piratininga, em Venda Nova, em Belo Horizonte, entre os dias 13 e 14 de março de 2023. Até as 12h15 desta quarta, o julgamento de Amanda Christina ainda estava em andamento.

Segundo a denúncia do MPMG, Amanda matou a mãe, Maria do Rosário de Fátima Pinto, porque os recursos financeiros da genitora acabaram, o que impossibilitava ela de continuar a extorqui-la. O órgão informou que a idosa era vítima de violência patrimonial cometida pela ré.

Em sessão do tribunal do júri realizada nesta quarta-feira, Amanda alegou que não matou as duas por dinheiro ou por ter tido empréstimos negados pela mãe. A ré afirmou que, a princípio, o intuito seria tirar apenas a própria vida, mas que não queria deixar Maria do Rosário e Agatha sozinhas e teve a “péssima ideia de levá-las junto”.

Homicídios

Entre os dias 13 e 14 de março de 2023, no apartamento onde as três moravam, Amanda asfixiou a própria mãe, que tentou suplicar para que a filha parasse, conforme a denúncia. O MPMG também afirma que o delito foi praticado mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, porque Amanda fingiu que estava demonstrando carinho para comprimir o pescoço da mãe.

De acordo com a denúncia, a ré matou a filha, de apenas 10 anos, para assegurar a ocultação do homicídio de Maria do Rosário. Inicialmente, ela teria convencido a criança a não acionar a polícia, SAMU ou terceiros para socorrer a avó. Em seguida, deu para a filha fluoxetina e álcool.

Antes de assassinar a criança, Amanda falou para a filha que ela só tinha duas opções: ir para um abrigo ou ser morta também. “A denunciada, após matar sua genitora Maria do Rosário, usando de temor psicológico, convenceu sua filha Agatha que a melhor opção era permitir que ela, inculpada, a matasse, porquanto Agatha, acreditando que as únicas pessoas adultas que ela podia confiar não mais existiriam, visto que sua mãe Amanda Christina lhe afirmou que cometeria autoextermínio, sujeitou-se, então, aos atos impiedosos perpetrados pela denunciada, causadores de morte”, consta na denúncia.

Depois, ainda conforme a denúncia, a ré cortou os pulsos de Agatha com uma faca. A menina não morreu, por isso, Amanda começou a asfixiar a criança, que tentou resistir. Diante da resistência, a ré amarrou os braços da filha para trás. “A denunciada, mais uma vez, voltou a comprimir o pescoço da filha, enquanto a menor, em martírio, se debatia, inclusive chegando a urinar nas roupas”, consta na denúncia. Agatha foi morta por asfixia mecânica.

No júri, Amanda afirmou que depois de matar a mãe e a filha tentou tirar a própria vida, mas não conseguiu. Ela alegou ainda estar arrependida de tudo.

Denunciada presa

Amanda foi presa em 16 de março. O Corpo de Bombeiros foi acionado pelos vizinhos da família, que sentiram o cheiro de gás vindo do apartamento onde Amanda, Maria do Rosário e Agatha moravam. Ao chegar no local, os bombeiros notaram que a porta estava bloqueada com argamassa e um sofá impedia a passagem. Amanda teria deixado o botijão aberto de propósito em uma tentativa de autoextermínio.

Tribunal do Júri

Amanda Christina Souza Pinto está sendo julgada pelo tribunal do júri nesta quarta-feira (30). O conselho de sentença foi formado por cinco mulheres e dois homens. Até as 11h37, três testemunhas haviam prestado depoimento e duas haviam sido dispensadas.

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Jornalista pela PUC Minas. Na Itatiaia, escreve para Minas Gerais e Brasil. Anteriormente, trabalhou no jornal Estado de Minas como repórter de Gerais, com contribuições para os cadernos de Política, Economia e Diversidade.

 

 

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