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Minas anuncia R$ 50 milhões em inovação contra mudanças climáticas

Edital lançado nesta sexta-feira (27), busca soluções tecnológicas para apoiar as metas de neutralidade de emissões até 2050

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Propostas devem gerar resultados concretos e soluções aplicáveis • Uriel Marques/BDMG

O Governo de Minas Gerais lançou, nesta sexta-feira (27), o edital "Minas pelo Clima: Ciência e Inovação", que disponibiliza R$ 50 milhões para projetos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico voltados ao enfrentamento da crise climática. A iniciativa é uma parceria entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG) e a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad).

O objetivo é dar suporte ao Plano Estadual de Ação Climática (PLAC-MG), que prevê a neutralidade das emissões de gases de efeito estufa no estado até o ano de 2050. O estado já possui 96% de sua matriz elétrica vinda de fontes renováveis e lidera a produção de energia solar fotovoltaica no Brasil, com 14,36 GW de potência. O novo investimento reforça compromissos globais assumidos pelo governo, como as campanhas Race to Zero (neutralidade de emissões) e Race to Resilience (resiliência climática).

Foco em ciência aplicada e mercado

O edital foca tanto no rigor acadêmico quanto na agilidade do setor produtivo. Segundo o presidente da Fapemig, Carlos Arruda, este é um dos lançamentos mais importantes do ano para a fundação.

"Ele é orientado para ICTs [Institutos de Ciência e Tecnologia], para pesquisadores e para desenvolvimento de tecnologias e soluções inovadoras voltado para empresas. É uma chamada que tem como objetivo suportar a superação dos desafios tecnológicos dessa pauta. Ela aborda temas desde questões climáticas e bioeconomia até economia circular e descarbonização", explicou Arruda.

O presidente ainda ressaltou que o edital busca projetos que possam ser aplicados de forma escalável: "Queremos a participação de acadêmicos, empresários e especialistas interessados em desenvolver diagnósticos, provas de conceito e inovações para lidarmos melhor com os impactos climáticos em Minas".

Resultados aplicáveis

O "Minas pelo Clima" exige que os projetos gerem benefícios técnicos, econômicos e sociais. As propostas devem estar alinhadas a eixos estratégicos, como:

  1. Agropecuária e segurança hídrica: adaptação do campo e proteção de mananciais.

  2. Indústria e resíduos: redução de emissões e economia circular.

  3. Povos vulneráveis e gestão de risco: proteção de populações e resposta a desastres.

  4. Biodiversidade: preservação de ecossistemas mineiros.

Para a secretária de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa, a estratégia é clara: "Aliar pesquisa às ações do PLAC é a forma de garantir que Minas implemente soluções baseadas em evidências validadas e com resultados concretos".

Metas e prazos

As propostas devem ser submetidas até o dia 11 de maio, exclusivamente pelo Sistema Everest da Fapemig. Podem participar pesquisadores vinculados a instituições de ciência e tecnologia, empresas e cooperativas sediadas no estado.

Para Bruno Grossi, professor da UFV e pesquisador de estudos sobre gases de efeito estufa, o investimento é um pilar para a resiliência do território mineiro. "Minas lança um edital estratégico para o desenvolvimento do Estado. A proposta traz uma perspectiva de apoio a projetos que contribuam para a neutralidade das emissões até 2050 e uma maior resiliência frente às mudanças climáticas. Instituições de pesquisa, cooperativas e empresas poderão submeter suas propostas com foco nesse desafio global", afirmou Grossi.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.