Justiça autoriza retomada das obras de moradias populares no Castelo, em BH
Moradores do bairro lamentam autorização e alegam danos ambientais

A Justiça de Minas Gerais derrubou a decisão que havia suspendido parte das obras de moradias populares no bairro Castelo, na Região da Pampulha de Belo Horizonte. Imagens enviadas à reportagem nesta terça-feira (18) registraram que, nos últimos dias, as construtoras avançaram na supressão de árvores nos terrenos demarcados.
O agravo de instrumento, solicitado pelo Município de Belo Horizonte, foi analisado pelo desembargador Alberto Diniz Junior e assinado no dia 5 de novembro deste ano. Foi concedido um efeito suspensivo que autoriza a retomada das construções habitacionais até o julgamento definitivo do recurso.
Um dos pontos em disputada é a legalidade do processo que retirou a classificação dos terrenos como locais de preservação ambiental. Segundo o desembargador, documentos apresentados nos autos evidenciam a regularidade dos atos administrativos.
Outra questão analisada no agravo de instrumento foi o argumento de prejuízo social pela paralisação das obras por “perda de recursos federais, desequilíbrio contratual e dificuldade na execução de políticas públicas habitacionais”.
O projeto prevê a construção de 500 apartamentos do Programa "Minha Casa Minha Vida" no bairro. Os terrenos utilizados somam cerca de 20 mil m².
O que dizem os moradores?
Em entrevista à Itatiaia, Mary Camargos, líder do “Unidos pelo bairro Castelo”, lamentou a autorização judicial para a continuação das obras e reforçou que a pauta da preservação ambiental é defendida pelo grupo desde 2013.
Morador do bairro, o advogado Geraldo Uzac relatou estar “decepcionado” com o desmatamento: “Áreas verdes maravilhosas. Fauna e flora exuberante. Cheia de passarinhos, maritacas e até 'miquinhos'. Eles derrubaram tudo. Tiraram todas as árvores centenárias que existiam aqui”.
O escritório César Fiuza Advogados, que representa o grupo na ação judicial, afirmou que recebeu “com surpresa” a decisão que permitiu a retomada das obras. “O ente público tem promovido a supressão da vegetação nativa do bairro de forma bastante intensa, culminando em danos irreparáveis ao meio ambiente”, disse.
Repórter no portal da Itatiaia. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).



