Jovem de 14 anos é alvo de intolerância religiosa em escola na Grande BH: 'não pode encostar pra não pegar macumba'
A mãe do adolescente procurou a diretoria após o filho ser alvo de piadas ao utilizar guias e paramentos da religião

A família de um jovem de 14 anos denuncia casos de intolerância religiosa em uma escola em Santa Luzia, na Grande BH. O adolescente, que cultua a religião do candomblé, de matriz africana, estaria sendo alvo de piadas de outros estudantes.
A mãe, Shirlene de Oliveira Santos (36), empreendedora, contou à reportagem da Itatiaia que seu filho passou por uma feitura de santo, um processo de iniciação da religião e, a partir disso, ele deveria andar com as guias dos orixás durante três meses. Nos últimos dias, os estudantes passaram a atacá-lo.
'Não pode encostar nele se não vou pegar macumba'. Além das piadas, os colegas passaram a desrespeitar sua religião. De acordo com a mãe, ele teria inclusive recebido uma carta com os dizeres 'Jesus te ama, você é importante para Ele', com o intuito de ironizá-lo.
Shirlene procurou a diretora do colégio que, de acordo com ela, não prestou o devido suporte. Ao todo, mais de seis reuniões foram feitas sobre o ocorrido, mas o problema não foi resolvido.
"Tivemos reuniões com os pais dos meninos, mas só dois deles foram chamados. Não estou brigando para que as crianças aceitem tudo, apenas que respeitem. Os pais dos alunos pediram desculpas pela situação e as crianças, quando entendereram o que estava acontecendo também se desculparam e até choraram", relatou.
Shirlene registrou um boletim de ocorrência contra a diretoria, alegando falta de preparação dos encarregados, e procurou o Conselho Tutelar, que a orientou a fazer uma denúncia formal na Secretaria de Educação. Na próxima segunda-feira (11), os órgãos devem ir até à escola para uma nova reunião acerca do caso.
"Se de início eu tivesse uma resposta positivo eu não iria tão longe, mas como vi que a escola não está reagindo, vou tomar todas as medidas cabíveis", ressalta.
Contato com o candomblé
Shirlene alegou que conheceu o candomblé há cerca de três anos e que seus dois filhos, de 9 e 14 anos, vivênciam a religão junto com ela. O mais novo, inclusive, passou pelo mesmo processo, mas não sofreu intolerância religiosa no colégio.
Ela contou que esta foi a primeira vez que eles vivenciaram algo deste tipo e que, mesmo com a pouca idade, já se posicionou diante da situação.
"No início ele não tinha noção da gravidade da situação, nunca passou por nenhum tipo de preconceito, mas esse provocou um impacto maior, ele ficou incomodado. A diretora até o questionou: 'você ficou incomodado?', e ele respondiu que sim, que se sentiu ofendido", explica.
"Por ser preta eu estou acostumada com o racismo e os olhares. Sempre previni e protegi eles disso tudo, mas sobre religião é a primeira vez que isso acontece", completa.
Formado em Jornalismo pelo UniBH, em 2022, foi repórter de cidades na Itatiaia e atualmente é editor dos canais de YouTube da empresa.
