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Irmãs de bebê morto por cerol em BH pedem justiça: 'Uma criança perdeu a vida'

Ravi Oliveira Dias foi atingido pela linha cortante quando estava brincando em uma rua na Região da Pampulha nesta quarta (27)

Por e 
Ravi morreu nesta quarta • Imagem cedida à Itatiaia

Duas irmãs de Ravi Oliveira Dias, um bebê de 1 anos e 9 meses que morreu após ser atingido por uma linha com cerol em Belo Horizonte, nesta quarta-feira (27), pedem justiça após a tragédia.

Natiely e Nahuana de Oliveira Santos estiveram na UPA Pampulha, onde Ravi foi encaminhado após o acidente. Ele estava brincando com uma outra irmã na rua, identificada como Nicole, quando a tragédia aconteceu.

"A gente só quer justiça por uma criança que tinha a vida inteira pela frente. Perdeu a vida por causa de uma linha de cerol. Não podemos fazer mais nada, só pedir justiça", disse Natiely.

Em entrevista à reportagem, Natiely relatou que Nicole, com ajuda de vizinhos, tentou socorrer o bebê, mas ele não resistiu. "O coração dele parou no meio do caminho. Ele ficou muito machucado, sangrou demais", explicou.

Enquanto isso, Nahuana afirmou que não considera o caso uma fatalidade. "Fatalidade é um carro bater, a gente não prevê isso. Mas uma linha de cerol, quando você compra, você sabe o risco que está correndo com ela na mão. É a mesma coisa de você estar com uma faca, uma arma, qualquer tipo de coisa cortante que leve a vida de outro ser humano", disse.

Linha com cerol acertou motociclista

Informações preliminares, obtidas pela Itatiaia, apontam que a linha cortante teria ficado presa na canela de uma motocicleta e, na sequência, atingido a vítima, que não resistiu.

Nahuana relatou que um adolescente estava soltando papagaio na rua em que Ravi e Nicole estavam. "Acho que o cara da moto não viu a linha e, sem querer, atingiu o pescoço dele [Ravi]. No que eles viram o menino caído, foram ajudar", disse.

Ravi foi encaminhado para a UPA Pampulha mas não resistiu e morreu • Imagem cedida à Itatiaia
Ravi foi encaminhado para a UPA Pampulha mas não resistiu e morreu • Imagem cedida à Itatiaia

'Quantas crianças mais vão precisar morrer?'

As irmãs contaram, ainda, que um outro parente também foi atingido por uma linha com cerol, em uma outra ocasião. Nahuana destacou que a prática de soltar pipas com linhas cortantes é comum na região.

"Eu já tinha brigado com algumas crianças por causa da linha, mas não adianta. Hoje eu perdi meu irmão. Quantas crianças mais vão precisar morrer? Podia ter sido eu", disse Nahuana.

Nahuana descreveu o irmão como uma criança alegre e agitada."Onde passava, todo mundo queria brincar. Uma criança muito boa e morrer assim, por uma linha", lamentou.

Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que foi acionada para remover o corpo de Ravi, que será encaminhado ao Instituto Médico Legal André Roquette para exame de necropsia. "A ocorrência se encontra em andamento, e outras informações poderão ser repassadas após o encerramento", escreveu a instituição.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Belo Horizonte e a Polícia Militar de Minas Gerais, para obter mais informações sobre a ocorrência e sobre possíveis medidas de fiscalização contra o uso de linhas com cerol, mas não recebeu retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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Laura Gorino é mineira e jornalista formada pela UFOP. Atualmente como repórter multimídia na Itatiaia, com passagem prévia pela filial da rádio em Ouro Preto.