Inadimplência cresce 7% em Minas e mais de 8 milhões de consumidores estão negativados
Dados da Serasa mostram aumento no número de devedores, no volume de dívidas e no valor médio dos débitos; juros altos e orçamento apertado estão entre os fatores apontados

Mais de 8 milhões de mineiros estavam inadimplentes em julho deste ano, segundo dados da Serasa. Minas Gerais registrou 8.029.854 consumidores com o nome negativado, um aumento de 7% em relação ao mesmo mês de 2025. São 532.221 inadimplentes a mais em um ano.
Além do crescimento no número de pessoas com dívidas em atraso, também aumentou a quantidade de débitos. O total passou de 27,79 milhões, em julho de 2025, para 31,35 milhões neste ano, uma alta de aproximadamente 13,4%.
Outro dado chama a atenção: o valor médio das dívidas por inadimplente. O chamado ticket médio passou de R$ 5.912,06 para R$ 6.929,84 no período.
Na prática, os números indicam que não apenas mais consumidores estão inadimplentes, como também estão acumulando valores maiores em dívidas.
Juros e orçamento apertado
O empresário Fabrício Barbosa conhece na prática as dificuldades provocadas pelo endividamento. Ele conta que já deixou de pagar a fatura do cartão de crédito e acabou se enrolando com a dívida. “Hoje a economia, do jeito que está, a gente não consegue ter muito recurso. Então, é sempre difícil. E, por parte do banco e da bandeira do cartão, os juros são muito abusivos.”
Para Fernando Gambaro, especialista da Serasa em educação financeira, o aumento da inadimplência está relacionado principalmente ao orçamento cada vez mais pressionado e ao custo do crédito.
Segundo ele, o custo de vida médio em Minas Gerais está em torno de R$ 3.360 por mês, enquanto as despesas essenciais ocupam uma parcela significativa da renda.
Gambaro cita gastos médios superiores a R$ 1.120 com moradia e cerca de R$ 860 com supermercado entre os consumidores ouvidos nas pesquisas da Serasa.
Além do custo das despesas básicas, os juros elevados também dificultam a quitação e a renegociação das dívidas.
Crédito virou ferramenta para fechar as contas
Com o orçamento comprometido, o crédito passa a ser utilizado por muitos consumidores para cobrir despesas do dia a dia. De acordo com Fernando Gambaro, apenas 19% dos entrevistados consideram fácil administrar os pagamentos e as despesas cotidianas.
O cartão de crédito aparece como uma das principais ferramentas utilizadas pelos consumidores. Segundo a Serasa, 63% afirmam ter usado o cartão nos últimos 12 meses. “O crédito cada vez mais vem se tornando uma ferramenta para a contenção dos gastos mensais. O grande aperto no orçamento mensal acaba fazendo com que as pessoas tenham que recorrer ao crédito”, explica Gambaro.
O problema, segundo o especialista, surge quando o consumidor não consegue pagar a fatura integralmente e passa a acumular juros. “Com juros em patamares elevados, o endividamento se torna uma bola de neve.”
Educação financeira e juros
Para Gambaro, além de ampliar o acesso à educação financeira, é necessário discutir o custo do crédito como forma de enfrentar o avanço da inadimplência.
O especialista avalia que uma combinação entre melhor planejamento financeiro e redução da pressão dos juros poderia contribuir para frear o crescimento das dívidas.
Enquanto isso, a recomendação para quem já está inadimplente é evitar ampliar o endividamento, organizar as despesas e buscar alternativas de negociação antes que os débitos aumentem ainda mais.
Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.



