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Hospital Infantil João Paulo II registra alta de 40% nas internações por doenças respiratórias

Cerca de 107 mil atendimentos por doenças respiratórias já foram registrados em BH, com mais de 3,7 mil pedidos de internação

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Hospital Infantil João Paulo II • Google Street View/ Reprodução

Após Contagem (Grande BH) decretar situação de emergência em saúde por causa do aumento de doenças respiratórias, o alerta se estende para todo o estado. Dados da Secretaria de Estado de Saúde indicam mais de 6 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em Minas Gerais apenas neste ano, com maior concentração na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Na capital mineira, o impacto já é sentido na rede de saúde. Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), foram registrados cerca de 107 mil atendimentos relacionados a doenças respiratórias em 2026, além de mais de 3,7 mil solicitações de internação.

O reflexo também aparece nas unidades hospitalares. No Hospital Infantil João Paulo II, referência no atendimento pediátrico, a demanda aumentou significativamente. A dona de casa Kelly Ariene levou a filha Aurora, ainda bebê, para atendimento e relata dificuldades.

“Ela tá com sintomas de bronquiolite, chiando o peito, com febre e dificuldade para respirar. Ainda não foi atendida, a espera está grande”, contou. Segundo ela, o movimento na unidade chama atenção. “Tem bastante gente, acho que vai demorar muito”.

Aumento de 40% das internações

De acordo com a assessora de gestão do hospital, Lindalva Santos, houve aumento expressivo na procura por atendimento. “Teve sim um aumento de demanda de doenças respiratórias. O pronto atendimento registrou cerca de 65% de aumento, e as internações cresceram mais de 40%”, afirmou.

Ela destaca que a unidade tem se preparado para o período. “Nós contratamos 152 servidores, abrimos sete leitos de UTI e 19 de enfermaria, além de ampliar o número de médicos. Se necessário, podemos abrir ainda mais leitos”.

Crescimento esperado

Segundo o infectologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Naito Pinambá, o aumento de casos já era esperado para esta época do ano. Ele explica que fatores climáticos favorecem a transmissão.

“No outono, as pessoas ficam mais em ambientes fechados, com temperaturas mais baixas e tempo seco, o que reduz a proteção das vias aéreas”, disse. O especialista reforça a importância da vacinação. “A vacina já está disponível no SUS e é fundamental, principalmente para idosos, crianças e pessoas com comorbidades”.

O subsecretário estadual de Vigilância em Saúde, Eduardo Pros Dócime, afirma que o cenário vem sendo monitorado de perto. “Estamos verificando aumento no número de notificações e também na procura por atendimento em todos os níveis de atenção. A Secretaria tem acompanhado o cenário epidemiológico e prestado apoio aos municípios”, afirmou.

Em nota, a PBH informou que monitora diariamente o avanço das doenças respiratórias e que o aumento já era esperado devido à sazonalidade entre março e junho. Segundo o município, neste momento não há pressão assistencial.

A prefeitura também destacou que possui um plano de enfrentamento, com possibilidade de ampliação de leitos e reforço nos serviços, além da antecipação da campanha de vacinação contra a gripe para grupos prioritários e da oferta de doses contra a Covid-19 para públicos específicos.

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Apaixonado por rádio, sou um bom mineiro que gosta de uma boa conversa e de boas histórias. Além de acompanhar a movimentação do trânsito, atuo também na cobertura de vários assuntos na Itatiaia. Sou apresentador do programa 'Chamada Geral' na Itatiaia Ouro Preto.