Homem que coordenava ‘núcleo de intimidação’ de Vorcaro é preso em BH
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão teria recebido até R$ 1 milhão por mês para práticas ilícitas e violentas, segundo a Polícia Federal

Em outro, o investigado é tratado como figura central na coordenação operacional do grupo conhecido como “A Turma”, descrita como uma “estrutura utilizada para realizar atividades de vigilância, coleta de informações e monitoramento de indivíduos considerados adversários do grupo”. “Nesse contexto, o investigado organizava e executava diligências destinadas à identificação, localização e acompanhamento de pessoas que mantinham relação com investigações ou com críticas às atividades do grupo econômico ligado ao Banco Master”, diz a decisão.
Há, aliás, fortes indícios de que FELIPE MOURÃO recebia um milhão por mês de VORCARO por intermédio de FABIANO ZETTEL como forma de remuneração por serviços ilícitos. Nas mensagens de Whatsapp trocadas entre MOURÃO e VORCARO, o primeiro explica os detalhes dos pagamentos que eram feitos por ZETTEL em nome de VORCARO.
“A partir dessa metodologia, de acordo com a autoridade policial, o investigado teria obtido acesso indevido aos sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal, e até mesmo de organismos internacionais, tais como FBI e Interpol”, descreve Mendonça.
Dados pessoais e institucionais de autoridades, jornalistas e indivíduos considerados de interesse da organização foram repassados a “Sicário”, que as encaminhava a integrantes “d’A Turma” responsáveis pela tomada de decisões estratégicas.
Em diálogos interceptados pela Polícia Federal, Vorcaro pede explicitamente a Luiz Phillipi para intimidar funcionários. Em um deles, o banqueiro diz que uma empregada o estava ameaçando e dispara: “tem que moer essa vagabunda”. “Sicário”, então, questiona: “o que é para fazer?”. Vorcaro dá a ordem: “puxa endereço, tudo”.
Ainda em relação à mensagem de VORCARO: “Quero dar um pau nele” (o jornalista), MOURÃO pergunta: “Pode? Vou olhar isso...”. E, confirmando o animus de agressão, VORCARO responde: “Sim
A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Luiz Phillipi. Em nota, a defesa de Vorcaro afirmou que o banqueiro "sempre esteve à disposição das autoridades", colaborando "de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça".
"A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta. Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições", completa o texto.
Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.



