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‘Ouvia todas as mulheres, mas não conseguiu ser ouvida’, diz amiga em ato por manicure morta

Silvani Paullino, de 36 anos, foi morta dentro do salão onde trabalhava na noite dessa segunda-feira (17) em Contagem

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Diversas mulheres e homens participaram de passeata em memória de Silvani Paullini, morta a tiros na última segunda-feira (17), vestidos de branco e carregando cartazes em pedidos de Justiça • Amanda Antunes / Itatiaia

Silvani Paullino, morta a tiros na última segunda-feira (17), trabalhava como manicure no bairro Funcionárias, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Em entrevista à Itatiaia, uma das clientes da vítima, identificada como Simone, contou que Silvani se dispunha a ouvir as mulheres do bairro enquanto pintava as unhas delas.

“Era ela que dava os ouvidos para mim, ou seja, ouvia todas as mulheres que estavam ali e cuidava da beleza da mulher. Ouvia todas as mulheres que chegavam ali, mas não conseguiu ser ouvida”, explicou Simone, que tinha a Silvani como uma pessoa próxima para conselhos e desabafos.

Ainda segundo a cliente da vítima, as mulheres estão sofrendo no Brasil em razão da violência doméstica. “A cada momento, uma mulher caída no chão. A cada momento, a mulher sendo desmoralizada, difamada”, refletiu.

Simone estava presente no ato em memória de Silvani Paullino realizado na tarde desta quarta-feira (19) em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Diversas mulheres e homens participaram da passeata vestidos de branco e carregando cartazes em pedidos de Justiça.

Os manifestantes pediram pelo fim dos feminicídios. “Queremos Justiça, proteção e o direito de viver sem medo. Nenhuma mulher a menos”, dizia um dos cartazes.

O principal suspeito de cometer o crime, que ocorreu na noite desta segunda-feira (17), é o marido da vítima, e foi preso em Conselheiro Lafaiete, na Região Central, nesta terça-feira (18). A princípio, o homem estaria indo para o Rio de Janeiro e foi preso em um hotel na beira da estrada.

Ainda segundo Simone, ela presenciou o desespero que tomou o bairro após ouvirem o disparo de tiros. Ela revelou ter escutado o barulho e, imediatamente, imaginado o que poderia ter acontecido.

“Eu escutei o tiro e falei, Meu Deus do céu, está muito perto. E como eu sei que aqui na rua tem mulheres também que se escondem por essa mesma situação, eu falei, meu Deus, conseguiu pegar a menina. Falei que a minha filha pegou a roupa, saiu, encontrou com o filho da Silvani, o mais novo, gritando, dizendo que o pai tinha matado a mãe. Aí minha filha foi até a Silvani, chamou ela pelo nome, tocou nela para ver se ela respondia, já não respondia. E foi uma surpresa muito grande”, lembrou.

O ato terminou na Avenida João César, em frente ao 18° batalhão.

Relembre o caso

Silvani foi morta a tiros na noite dessa segunda-feira (17) no bairro Funcionários, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

O corpo foi encontrado pela filha mais velha do casal, de 17 anos. A mulher foi assassinada no salão de beleza onde trabalhava, em um espaço adaptado dentro da casa da família.

Em entrevista à Itatiaia, a adolescente contou que o homem apagou a iluminação externa do salão, entrou no estabelecimento usando uma balaclava preta e atirou contra a manicure. Após os disparos, ele fugiu do local.

“Ele apagou a luz de fora que tem no salão, mas dentro tem duas lamparinas em cima da mesa dela que iluminam o salão todo. Mesmo assim, dava para ver tudo. Ele entrou, abriu a porta e falou ‘bu’. Estava com a cara tampada, de balaclava preta. Aí ele chegou e deu um tanto de tiro nela. Ela caiu e ele correu. Eu já liguei para a polícia, liguei para todo mundo, me desesperei e saí”, contou a adolescente.

Ainda segundo a jovem, Silvani já havia manifestado a intenção de se separar do companheiro. Lara afirmou que chegou a aconselhar a mãe a terminar o relacionamento, mas que ela tinha medo de desestruturar a família.

“Eu falei várias vezes para ela se separar dele, mas ela sempre ficava com medo, porque não queria separar a família também”, disse.

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Formada, há 13 anos, em jornalismo, pela Faculdade Pitágoras BH. Pós-graduada em jornalismo digital e produção multimídia.

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Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo

 

 

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