Filha de operário que morreu na tragédia do Pavilhão da Gameleira pede ajuda para encontrar a família
Delma Cristina Silva Dias, que foi adotada cerca de quatro meses após a tragédia, procurou a Itatiaia após assistir série de reportagens especial que retrata o episódio

Filha de um operário que morreu no desabamento do Pavilhão da Gameleira, na região Oeste de Belo Horizonte, Delma Cristina Silva Dias, de 52 anos, pede ajuda para encontrar parentes e conhecer a sua família biológica. A tragédia ocorreu em 4 de fevereiro de 1971 e matou 69 trabalhadores - sendo esta a segunda maior tragédia envolvendo acidente de trabalho no Brasil.
Nascida em 18 de outubro de 1970, Delma é fruto de um relacionamento extraconjugal do pai - que ela não sabe o nome - com Maria Luzia Félix. No entanto, logo após a tragédia, ela entregou a filha para adoção por falta de condições financeiras. De acordo com Delma, a mãe biológica tinha outros filhos.
Delma então foi adotada por Balbina Romualda Dias, que hoje está com 89 anos, após a história ser divulgada pela Rádio Inconfidência. À época, Lenisa Dias, que também é filha adotiva de Balbina, falou para a mãe que gostaria de ter uma irmã.
“Ela foi lá [na Rádio Inconfidência] durante quase uma semana, quando foi em uma quinta-feira, a minha irmã mais velha, a Lenisa Dias, disse: 'Mãe, vamos adotá-la. Eu quero ter uma irmã'”, recordou.
Delma conta que seu pai adotivo, João Cristóvão Dias, que já morreu, também trabalhava no pavilhão Gameleira e era amigo do seu pai biológico. “Eles trabalhavam no mesmo lugar. Meu pai era carpinteiro. Então meu pai fazia aquelas bases, as caixas para conter o cimento, para conter o material”, contou.
Ela explica que seu pai adotivo pediu demissão uma semana antes da tragédia. “Meu pai, no caso o adotivo, falou assim: ‘não, eu não vou ficar aqui porque senão, não vai aguentar, isso aqui vai matar pessoas’ [...] Ele saiu uma semana antes de acontecer o desastre”, lembrou.
Delma tomou a decisão de procurar familiares enquanto fazia um trabalho de faculdade. Na busca por histórias, ela chegou até uma série de reportagens da Itatiaia que fala sobre a tragédia. “Eu me aprofundei nesse assunto no ano passado. Estava fazendo um TCC da faculdade e o tema que eu escolhi envolvia alguns acontecimentos”.
“Além disso, eu vi que a Itatiaia havia feito um programa de 50 anos com vários relatos e eu comecei a pegar esses relatos. Então eu vi os vídeos de algumas famílias relatando o que aconteceu, a falta que a pessoa faz e que até hoje não foi resolvido. Mediante isso, eu pensei: a Itatiaia deve ter algum documento, alguma foto do pessoal, e foi quando entrei em contato”, acrescentou.
Delma explica que já tentou procurar seus parentes sozinha, mas não conseguiu. “Quando eu vi os documentários da Itatiaia, vi que são profundos, eles chegaram lá [na tragédia] primeiro. A reportagem foi muito ampla”, destacou.
Ajude Delma a encontrar a família
Quem tiver informações sobre a mãe biológica de Delma, Maria Luzia Félix, ou de parentes pode procurá-la no Facebook (facebook.com/delma.dias.5) ou Instagram (delma_diasj).
Ela acredita que sua família seja de Divinópolis - tendo em vista a sua certidão de nascimento. “A minha irmã mais velha sempre falou que a família Félix tem origem em Divinópolis. O meu avô, pai da minha mãe, se chama Valdomiro Félix, e eles são lotados lá de Divinópolis”, acrescentou.
Patrícia Marques é jornalista e especialista em publicidade e marketing. Já atuou com cobertura de reality shows no ‶NaTelinha” e na agência de notícias da Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt). Atualmente, cobre a editoria de entretenimento na Itatiaia.
