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Entrevistados com medo e mistérios: Chico Felitti conta bastidores do podcast ‘A síndica’

História ouviu, principalmente, alguns moradores do condomínio, que abriga cerca de 3,3 mil pessoas, número maior que a população de 99 municípios mineiros

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História ouviu, principalmente, alguns moradores do condomínio, que abriga cerca de 3,3 mil pessoas, número maior que a população de 99 municípios mineiros • Montagem - Itatiaia / Magno Campos

O jornalista Chico Felitti vai lançar um episódio extra nesta quarta-feira (10) e finalizar a série de seis episódios que contempla o podcast ‘A Síndica’. Em entrevista à Itatiaia, Chico falou sobre as histórias dos bastidores da produção. Ao longo da apuração, diversos boatos foram ouvidos pela equipe do jornalista. O podcast ouviu, principalmente, alguns moradores do condomínio, que abriga cerca de 3,3 mil pessoas, número maior que a população de 99 municípios mineiros.

“Acho que o boato que mais me impressionou sobre o Edifício JK é que as pessoas sumiram. Pessoas entravam e não saíam mais do prédio. Esse ficou sendo lenda porque a gente não conseguiu averiguar, a gente não conseguiu provar, mas tem história de gente que entrou no prédio e nunca saiu”, afirmou Felitti.

Ainda de acordo com o jornalista, outro boato circulou pelo edifício após a morte de Maria das Graças, a síndica que comandou o condomínio por 40 anos. Muitas pessoas acreditavam que ela não havia morrido. A situação foi, inclusive, abordada no quinto episódio.

“No último episódio de ‘A Síndica’, a gente mostrava que no prédio as pessoas duvidavam que ela tinha morrido. Anunciaram que ela morria, mas tinha gente que achava que ela fez que nem Odete Reutemann, assim, fingiu uma morte e saiu do país”, comentou Chico.

O jornalista, então, revelou um spoiler sobre o último episódio do podcast. “Mas amanhã, quarta-feira, saiu um episódio extra que conta os últimos dias dela, porque a gente conseguiu apurar como, de fato, teve uma doença e teve uma morte, que era uma coisa que estava guardada ali numa caixa preta, sete chaves, e só depois que a série foi pro ar que a gente conseguiu ter acesso aos últimos dias”, afirmou.

Entrevistados com medo

O projeto do podcast ficou parado por muito tempo. Segundo Felitti, enquanto a síndica comandava o edifício, as pessoas tinham medo de se identificar para contar as histórias. Alguns entrevistados até topavam falar, mas apenas às escondidas.

“Muita gente ia de capote, juro por Deus. Como se fosse um filme de espionagem. E ninguém topava dar entrevista gravada. E eu não ia conseguir fazer um podcast inteiro off the record, ou, enfim, com pessoas sem nome”, disse o jornalista.

A situação mudou quando o paradeiro da síndica ficou desconhecido. “No momento que ela desaparece, cara, as pessoas começam a aparecer. Dezenas de pessoas falando: eu quero dar entrevista, eu quero contar o que aconteceu comigo, eu quero dar a minha cara. Daí, eu consigo fazer a série”, afirmou.

O jornalista apontou que a realidade no edifício mudou desde então. “Hoje em dia tem um clima de paz. Se antes o clima era de medo, hoje em dia o clima no prédio é de paz”, afirmou.
A autenticidade do condomínio também impressionou Chico Felitti. O jornalista disse nunca ter visto um prédio com pessoas tão diferentes e personagens tão únicos. Para o jornalista, o JK valeria um podcast apenas pelo o que é.

“Cada um dos moradores e das moradoras, cerca de 3 mil moradores, valeria um podcast em si. Então, eu tô apaixonado por fazer humanos do JK. A história de cada pessoa nesse prédio, pra mim, representa a diversidade do Brasil”, afirmou.

Novos projetos

Ainda este ano, Chico pretende lançar outros podcasts com histórias completamente diferentes. O próximo lançamento é sobre um orfanato em São Paulo, que foi um dos maiores do Brasil.

“As pessoas lá dentro perderam o direito à sua história e hoje em dia estão atrás da história. Então, é um podcast mais lírico, mais bonito, mas também de investigação. São pessoas que tinham família, que não eram órfãs, mas moravam em um orfanato. E hoje em dia, 30 anos depois, estão atrás da família”, afirmou.

O jornalista também deve trazer um crime clássico e uma história de seita em outros dois podcasts. “Esse ano vai ter bastante áudio. É o ano do áudio”, afirmou.

Veja a entrevista completa:

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Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo

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Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, é repórter da Itatiaia desde abril de 2023, na equipe de redes sociais. Já passou pela redação do jornal Estado de Minas e assessoria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Tem experiência principalmente em vídeos, podcasts e reportagens multimídia.