JK virou trend: podcast de Chico Felitti leva curiosos ao edifício 'mais famoso' de BH
Buscas pelo nome do Edifício JK no google tiveram um pico no dia do lançamento do podcast e quando os outros episódios foram publicados

Como um piloto no céu, o jornalista Chico Felitti entrou na “nuvem de mistério” que rodeava o Edifício JK para produzir o podcast “A Síndica”, publicado no dia 6 de maio. A história ouviu, principalmente, alguns moradores do condomínio, que abriga cerca de 3.300 pessoas, número maior que a população de 99 municípios mineiros, para entender os relatos sobre Maria das Graças: a mulher que comandou o edifício por quarenta anos. Os episódios foram divulgados semanalmente, o que foi suficiente para aumentar o interesse em conhecer o edifício, fruto do sonho modernista de Oscar Niemeyer.
Logo nas 24 horas que sucederam a divulgação do primeiro episódio do podcast, as buscas pelo termo “Edifício JK” no Google tiveram um pico, algo que não havia sido registrado nos últimos cinco anos, nem mesmo em meio à assembleia de moradores que elegeu um novo síndico para o condomínio. Nas semanas seguintes, as procuras pelo termo continuaram altas, com um pico sempre próximo ao lançamento dos novos episódios.
Os impactos também foram sentidos nos corredores do JK. Em entrevista à Itatiaia, o atual síndico do edifício, Manoel Gonçalves, de 61 anos, afirmou ter percebido um maior número de pessoas interessadas em conhecer as duas torres que constituem o JK, assim como pedidos de universidades para levar os estudantes em uma visita ao condomínio. Para atender a demanda, Manoel colocou uma pessoa para receber os visitantes e guiá-los pelos espaços dos prédios.
“Hoje, nós estamos de portas abertas. Abrimos as portas do condomínio JK e colocamos alguém para ciceronear (visita guiada) quem vem, para conhecer todo o condomínio. Normalmente, elas – os visitantes – ficam tão extasiadas que não sabem nem o que pedir. Nós é que oferecemos o que temos de melhor”, contou o síndico.
A professora de história Karina Magalhães, de 39 anos, moradora do edifício há quatro anos, contou que virou quase uma celebridade entre os amigos após o podcast. Ela lembrou, ainda, de ter ouvido uma frase interessante da fisioterapeuta dela, que sempre passava pela Praça Raul Soares, mas nunca havia reparado no Edifício JK. O condomínio já estava naturalizado no cenário urbano, mas a situação mudou depois que ela ouviu o podcast.
“Ela até falou: ‘Eu tenho vontade inclusive de ir lá e olhar para ver, para meio que materializar as coisas que ele fala no podcast’. Realmente acho que gerou, sim, uma curiosidade maior sobre o prédio, não necessariamente das pessoas virem aqui. Mas eu tenho certeza que quem tá escutando tá passando pela Raul Soares, olhando a Praça Raul Soares de uma maneira bem diferente”, afirmou Karina.
Outro morador, que vive no edifício desde 2021, o arquiteto Sandro Campos, de 51 anos, apontou que o podcast trouxe um impacto positivo para a reputação do JK. Ele afirmou que o condomínio ganhou espaço na imprensa nos últimos anos, mas de uma forma “cômica” e “bizarra”. Ainda segundo ele, o podcast mudou esse pensamento na opinião pública.
“O JK está voltando a ser um lugar interessante. As pessoas estão querendo saber mais sobre o condomínio. A gente fala que a gente mora aqui, o pessoal quer saber valor de condomínio, como é a relação entre os vizinhos. Você sente que tem gente querendo vir morar aqui”, afirmou. A reportagem procurou empresas de hospedagem e questionou se foi registrado um aumento na procura pelo Edifício JK desde o lançamento do podcast. As empresas não responderam os questionamentos, alegando confidencialidade.
Karina também disse acreditar no impacto positivo do podcast para a reputação do Edifício JK, sentidos tanto no aumento da procura por um imóvel, quanto na valorização da imagem do prédio.
“Eu comprei num valor que hoje tem gente vendendo meu tipo de apartamento pelo dobro. E assim, é só de 2021 para 2026. Então, eu acho que o prédio vai valorizar, não só no sentido do valor do imóvel, mas eu acho que ele vai valorizar a sua imagem mesmo na cidade. Eu espero, sinceramente, que essa administração entenda o potencial que o prédio tem e de fato faça ações que concretizem esse sonho do Niemeyer”, pontuou a professora de história.

‘A nuvem de mistérios desanuviou’
Quando o jornalista Chico Felitti fez a maior parte das entrevistas do podcast, o Eedifício JK enfrentava um momento de mudanças. A síndica havia sumido, o que deixou os moradores tranquilos para falarem e abrirem a porta dos apartamentos. Em meio à isso, uma assembleia foi realizada, e um novo síndico foi eleito. Para o atual síndico do condomínio, Manoel Gonçalves, “acabou aquela nuvem que pairava no Edifício JK”.
“Eu sou assim, diferente da doutora Graça. Ela tinha a forma dela de gerir. Eu sou uma pessoa bem mais acessível, bem mais comunicativo, bem mais compreensivo, sou uma pessoa altamente pragmática, gosto de pegar e resolver”, afirmou Manoel, que definiu a própria gestão à frente do condomínio como uma “gestão aberta”.
A médica veterinária Carla Silva Gomes, de 57 anos, mora no edifício há 35 anos e atribuiu as mudanças percebidas por ela na reputação do edifício à troca da administração. Para ela, o podcast foi um dos meios de comunicação que ajudou a divulgar os feitos da nova gestão. Ela contou que percebeu um fluxo maior de visitantes do condomínio, como estudantes, algo que, segundo ela, não era permitido pela antiga síndica.
“Eu moro no terceiro andar, o meu apartamento dá de frente para a Rua Timbiras. Tem vezes que eu chego na minha janela de pijama, tá umas 50 pessoas tirando foto, visitando, estudantes, coisa que na minha época, eu fiz designer gráfico, e eu trouxe minha turma aqui e eu não pude subir com ninguém, porque meu apartamento era pequeno. Eu fui impedida de trazer e a gente tirando fotos e tudo. Eu tive que entrar com um colega só e nós tiramos foto das escadas na época”, lembrou.
A médica veterinária apontou que, atualmente, as pessoas podem chegar e visitar o prédio. “As portas aqui antes estavam entreabertas, agora estão escancaradas, estão abertas. Claro que ele não é bobo, ele fica de olho nas pessoas que entram no prédio, até mesmo pela nossa segurança”, explicou.
A arquiteta Maria Eduarda, de 26 anos, por outro lado, apontou que o podcast trouxe “um holofote nacional para um mundinho muito particular.”
“O JK já atrai visitantes e curiosos, desde sempre. É comum você ver pessoas passando pela Raul Soares e comentando que o prédio é do Niemeyer, tirando fotos. Sempre foi assim. Eu acho que o podcast trouxe uma visibilidade maior para uma coisa que já tinha uma certa visibilidade. E eu acho que o momento é muito bom”, apontou.
“Então, eu acho que o podcast, atrelado à nova administração, pode ser que traga uma visibilidade muito grande. Mas eu não diria que seja mérito único, exclusivamente do podcast, porque o prédio já trazia esse ar de curiosidade antes. Mas, sem dúvida, amplia”, continuou.

Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.




