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Em meio a greve da educação, Damião garante continuidade das atividades escolares

Prefeito de BH afirmou em coletiva de imprensa nesta sexta (17), que está cumprindo rigorosamente os acordos firmados, com a educação, no ano passado

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Em meio a greve os professores, Damião garante continuidade das atividades escolares
Damião completou um ano da posse no dia 3 de abril • João Felipe Lolli/ Itatiaia

Em meio à mobilização dos trabalhadores da educação, que aprovaram um indicativo de greve para o dia 27 de abril, o prefeito Álvaro Damião (União-MG) demonstrou tranquilidade quanto à continuidade das atividades escolares. Durante coletiva de imprensa nesta sexta-feira (17), o chefe do Executivo afirmou que a administração está cumprindo rigorosamente os acordos firmados no ano passado e questionou as motivações do movimento.

O indicativo de greve foi definido em assembleia na última quinta-feira (16) pelo Sind-REDE BH. A categoria denuncia o que chama de "apagão da educação", citando a falta de professores, sobrecarga de trabalho e a crescente terceirização na rede municipal por meio de Organizações da Sociedade Civil (OSCs).

Um dos pontos de atrito é a substituição de empresas prestadoras de serviços de portaria e cantina. Damião defendeu a prerrogativa da Prefeitura de buscar contratos mais eficientes. "A prefeitura não é obrigada a ficar com a mesma empresa, sabendo que uma outra quer fazer com um preço melhor, para atender melhor a população e para o dinheiro chegar ainda mais na ponta", afirmou o prefeito.

Segundo Damião, o objetivo da mudança é garantir que o recurso chegue diretamente ao trabalhador, em vez de ser retido por empresas privadas. "A minha preocupação é com a cantineira, é com o porteiro. E se eu ver, como foi visto nos contratos anteriores, que você paga bem, mas que esse dinheiro não está chegando lá por causa de taxas administrativas, nós vamos fazer o que nós fizemos. Eu não tenho compromisso nenhum com empresa nenhuma", enfatizou.

Sindicato aponta 'apagão' e falta de docentes

Por outro lado, a diretora do Sind-REDE BH, Carol Pasqualini, sustenta que a pauta vai além do índice salarial. Em entrevista à Rádio Itatiaia, ela destacou a carência de profissionais nas salas de aula. "Temos uma questão muito grave: a falta de professores nas escolas. Em pleno 16 de abril temos escolas que não têm professores o suficiente para todas as turmas", alertou a sindicalista, que também criticou a perda da exclusividade da atuação docente para o setor privado.

Em nota oficial, a Prefeitura de Belo Horizonte rebateu as críticas, listando uma série de avanços conquistados pela categoria, como a instituição da data-base, a criação de progressões por escolaridade e reajustes expressivos no vale-refeição, que chegou a R$ 60 por dia para jornadas de 40 horas.

Para combater o déficit de pessoal, a PBH informou que:

  • Mais de 3,1 mil professores foram nomeados entre 2024 e 2026.
  • Uma nova nomeação de 250 professores está garantida para os próximos dias.
  • A gestão já estuda a realização de um novo concurso público para a área da Educação.

O governo municipal reforçou que o acordo vigente garante a recomposição salarial pela inflação até 2026, com um reajuste já programado de 2,40% para janeiro do próximo ano. "Nós não temos essa preocupação. O que a gente fez no ano passado, a gente tá cumprindo e a gente vai cumprir", finalizou Damião.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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Mineiro de Urucânia, na Zona da Mata. Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Ouro Preto (2024), mesma instituição onde diplomou-se jornalista (2013). Na Itatiaia desde 2016, faz reportagens diversas, com destaque para Política e Cidades.