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Clínica onde mulher morreu ao tirar DIU é interditada: 'divergências e irregularidades'

Segundo a Prefeitura de Matozinhos, a clínica não estava autorizada a realizar procedimentos ginecológicos

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Um processo administrativo será instaurado para a apuração e regularização dos problemas encontrados na clínica
Um processo administrativo será instaurado para a apuração e regularização dos problemas encontrados na clínica • Reprodução/Google Maps

A Prefeitura de Matozinhos interditou, nessa sexta-feira (10), a Clínica Med Center, local onde uma mulher morreu durante a retirada de um dispositivo intrauterino (DIU). De acordo com o município, foram encontradas divergências e irregularidades na unidade de saúde, o que motivou a interdição imediata da clínica.

O município informou que a decisão foi tomada por uma equipe de fiscalização. Os agentes foram até a clínica e verificaram as estruturas físicas, os procedimentos e as atividades exercidas na unidade de saúde.

Além das irregularidades, a prefeitura também encontrou uma contradição nos documentos da instituição e descobriu que a clínica não estava autorizada a realizar procedimentos ginecológicos.

"Os registros apontavam apenas aptidão para realizar clínica médica e atividade de atenção ambulatorial, com estrutura necessária para primeiros socorros, conforme consta no Alvará Sanitário e no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – CNES", diz trecho da nota divulgada pela Prefeitura de Matozinhos.

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A gestão municipal afirmou que, agora, será instaurado um processo administrativo contra a clínica para a apuração e regularização dos problemas encontrados.

Na quinta-feira (9), a prefeitura da cidade havia informado que a clínica possuía alvará sanitário e estava inserida no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).

Mulher morre ao retirar DIU

Jéssica Marques Vieira, de 32 anos, morreu no último sábado (4) após entrar em um consultório para retirar um dispositivo intrauterino (DIU) em uma clínica em Matozinhos, na região metropolitana de Belo Horizonte. Segundo o boletim de ocorrência, o caso foi registrado como erro médico. Veja detalhes sobre o caso.

O procedimento foi realizado pelo médico cardiologista Roberto Márcio Martins de Oliveira. O profissional já havia sido denunciado por agressão física contra duas companheiras dele, e por abuso sexual por uma paciente. A reportagem consultou o CRM do médico e constatou que o registro está regular.

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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.