Belo Horizonte
Itatiaia

Cidade de MG se reúne com Ministério da Saúde após suspensão das vacinas contra a dengue

Outras cidades no Sudeste e Centro-Oeste do Brasil também receberam imunizante; cerca de 500 mil doses foram aplicadas desde o início da campanha

Por
Cerca de 500 mil doses foram aplicadas desde o início da estratégia, segundo o Ministério da Saúde
Cerca de 500 mil doses foram aplicadas desde o início da estratégia, segundo o Ministério da Saúde • Reprodução

Representantes da Secretaria Municipal de Saúde de Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e do Ministério da Saúde se reúnem nesta segunda-feira (8), após o município mineiro ser um dos três do Brasil que recebeu a vacina contra a dengue do Instituto Butantan — suspensa temporariamente em todo o país. 

Em nota, a Prefeitura de Nova Lima divulgou a reunião e afirmou que mais informações sobre o tema serão divulgadas posteriormente. O anúncio do Ministério das Saúde sobre a suspensão do imunizante aconteceu pouco tempo antes do encontro, também nesta segunda (8).

A decisão acontece após 42 episódios de reações adversas associados a vacina serem identificados. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a medida acontece enquanto o casos são investigados. Nova Lima (MG), Botucatu (SP) e Maranguape (CE), além da região de Araguaína, no Tocantins, contaram com a estratégia de vacinação. Ainda não foi divulgada a distribuição de casos em cada município. O imunizante também vinha sendo aplicado em profissionais da Atenção Primária à Saúde em várias regiões do Brasil.

Apesar da suspensão temporária, o Ministério da Saúde destacou que não há recomendação para retirada das doses das unidades de saúde e que as vacinas permanecerão armazenadas na rede pública até a conclusão das investigações.

Garantir a segurança da população

Vacina contra dengue é suspensa • Banco de Imagens I Pixabay
Vacina contra dengue é suspensa • Banco de Imagens I Pixabay

Cerca de 500 mil doses foram aplicadas desde o início da estratégia, segundo o Ministério da Saúde. Foram identificados 42 episódios de reações mais severas temporalmente associadas à vacinação. Os registros equivalem a cerca de oito casos para cada 100 mil doses aplicadas. 

Entre os 42 episódios, três foram considerados graves — sendo que dois deles evoluíram para óbito. Porém, Padilha destacou que, até o momento, não existem evidências suficientes para estabelecer uma relação causal entre a vacina e os casos graves ou as mortes. "Não existe, até este momento, dado suficiente para estabelecer uma causalidade entre a vacina e esses óbitos. Mas é um sinal de alerta para o sistema de vigilância, junto com os 42 casos registrados, que nos recomenda a descontinuidade temporária da atual estratégia de vacinação até que se concluam todas as investigações necessárias."

O ministro da Saúde, ao anunciar a decisão, ainda afirmou que a prioridade é garantir a segurança da população e reforçou que a medida segue um princípio fundamental da saúde pública: "A nossa decisão neste momento é descontinuar de forma temporária a atual estratégia de vacinação com a vacina da dengue do Butantan no país. Essa descontinuidade tem um objetivo: primeiro, uma ação de precaução que deve sempre guiar quem respeita a vida e quem respeita a ciência, ainda mais quando estamos falando de vacinação."

A suspensão permitirá que a pasta, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Butantan realizem uma análise detalhada dos 42 casos notificados. Entre os pontos que serão investigados estão possíveis fatores de risco dos pacientes, condições de armazenamento e transporte das doses, procedimentos de aplicação e outras variáveis que possam ajudar a esclarecer os eventos registrados.

Por

Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.