Belo Horizonte tem atualmente cerca de 100 imóveis localizados em áreas de risco geológico em vilas e favelas da capital. O monitoramento é feito pela Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte (Urbel), companhia urbanizadora e de habitação do município, que acompanha esses pontos ao longo de todo o ano e pode determinar a retirada imediata dos moradores quando há risco iminente de deslizamento ou desabamento.
Durante o período chuvoso, a situação dessas áreas pode se agravar rapidamente, em função do volume de água ou da ação humana. A diretora de Manutenção e Áreas de Risco da Urbel, Isabel Volpone, explica como funciona esse acompanhamento e quais são os principais sinais de alerta.
“Olha, a gente tem um diagnóstico de risco geológico nas áreas de vilas e favelas, onde a gente anda pelas áreas avaliando a situação, assim como pelas vistorias que a gente faz diariamente a pedido dos moradores todos os dias do ano. Então esse número ele reside no número afeto ao risco alto. Então são áreas que ou o morador tem que planejar uma intervenção ou uma área mais abrangente onde o programa estrutural de área de risco vai planejar uma intervenção, orienta ele a ver os sinais quando a gente faz a vistoria e caso ele perceba alteração naquilo que a gente orientou, ele solicita nova vistoria pra gente voltar e ver se o risco evoluiu ou não.”
Segundo a diretora, uma edificação com risco geológico alto, em geral, está localizada em encostas instáveis e sem infraestrutura adequada.
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“Para o risco geológico é uma edificação que está numa área de encosta. Essa encosta já tem um corte. São terrenos desprotegidos, sem uma contenção, sem uma estrutura de drenagem. Às vezes são terrenos pela e pela distância que a casa tá na base daquele talude. Às vezes a gente já vê alguns escorregamentos antigos, vê alguma estrutura inclinada ou vê alguma trinca. Agora, é muito importante a população tá preparada e atenta, porque o risco ele evolui muito rapidamente, dependendo principalmente de como a chuva cai e também qual que é ação de quem mora ali.”
Ela ressalta que a falta de infraestrutura básica aumenta consideravelmente o risco nessas regiões.
“O potencial de vulnerabilidade das áreas onde a gente não tem nenhuma infraestrutura, ou seja, não temos acessos definidos, ruas instaladas, a drenagem sendo devidamente conduzida, a ausência de esgoto, aí onde vamos ter fossa ou esgoto lançado a céu aberto. O principal fator que ajuda a evoluir uma situação de risco é um escoamento indevido ou lançamento indevido, seja de água servida, esgoto ou não.”
Quando uma situação crítica é identificada, a orientação é imediata.
“Quando a gente identifica uma situação de risco que não tem condição, ela pode ser deflagrada a qualquer momento, que a gente chama de risco muito alto, imediatamente a gente indica a remoção do morador, seja provisoriamente até que se faça uma obra ou definitivamente. Quando a gente tem um risco que ainda é monitorável, a gente mostra para ele o que deve observar no terreno para ele tá observando durante o período de chuva. E se ele vê que aquela situação se modificou, solicitar nova vistoria, seja para a Condec ou seja para a Urbel.”
A recomendação é que moradores de áreas de encosta fiquem atentos a sinais como trincas, inclinação de estruturas, surgimento de água ou lama no terreno e acionem imediatamente os órgãos responsáveis ao perceber qualquer mudança.