Caso de racismo no Fórum Lafayette, em BH, é denunciado após ofensa em atendimento

Michelle Caetano, funcionária do Fórum Lafayette, em Belo Horizonte, descreveu episódios ocorridos em dois dias no ambiente de trabalho e o impacto emocional após ser ofendida por outra profissional no exercício da função

Relato aponta ofensa racista contra servidora no fórum durante atendimento

A funcionária Michelle Caetano, do Fórum Lafayette, em Belo Horizonte, relatou ter sido vítima de injúria racial durante o atendimento ao público em dois episódios ocorridos em dias consecutivos.

Segundo o relato feito à Itatiaia, no primeiro episódio, durante o período de recesso do Judiciário, uma advogada compareceu ao local pela manhã para tentar despachar com um juiz da 10ª Vara de Família. Michelle informou que, conforme normas do Tribunal e portaria vigente, o atendimento ocorreria apenas a partir do meio-dia, mesmo em regime de plantão.

Ainda assim, a advogada insistiu no atendimento, demonstrando nervosismo, e disse que tinha autorização para comparecer à secretaria antes do horário previsto.

Michelle disse que confirmaria a informação antes de liberar o acesso. A advogada permaneceu na recepção até o horário permitido e, ao meio-dia, procurou outro guichê para obter informações e acessar a secretaria.

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Retorno ao fórum e nova abordagem

No dia seguinte, a mesma advogada retornou ao Fórum Lafayette e procurou informações sobre um juiz de plantão de uma vara específica. Um servidor informou que o atendimento solicitado não ocorria naquele local, mas a advogada continuou insistindo.

Michelle foi chamada para auxiliar e, após verificar as informações, orientou que a advogada entrasse em contato com a Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente de Belo Horizonte (Vecca). Mesmo assim, a visitante não aceitou a orientação.

Enquanto um servidor tentava contato telefônico com a secretaria para obter mais informações, a advogada se dirigiu ao guichê de Michelle.

“Palha de aço e bombril”

Segundo o relato, a advogada apoiou-se no balcão e afirmou que o cabelo de Michelle tinha “aspecto seco, parecido com palha de aço e bombril”.

Michelle afirmou que ficou paralisada diante da fala, sem conseguir responder.

“Naquele momento eu paralisei, não conseguia retrucar nem questionar”, relatou.

Após o ocorrido, a funcionária se afastou do local, foi ao banheiro e chorou.

Ainda segundo o relato, a ofensa foi ouvida por outras pessoas que estavam no ambiente, o que agravou o impacto emocional. Michelle disse que o episódio trouxe à tona lembranças de outras situações semelhantes vividas no mesmo local de trabalho e relatou sentimentos de insegurança, angústia e desamparo.

Medidas jurídicas já foram adotadas

Representante de Michelle Caetano, o advogado Gilberto Silva, especialista em crimes contra a honra e direito antidiscriminatório, informou à reportagem que já foi registrada notícia-crime e feita representação criminal contra a advogada. Segundo ele, um inquérito policial já está em andamento para apurar os fatos.

Além disso, Michelle Caetano ajuizará uma ação de reparação por danos morais, em razão das consequências psicológicas e da humilhação relatadas. Também será feita uma representação junto à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), devido à conduta da advogada no exercício da profissão.

O advogado ressaltou que a profissional citada tem direito ao contraditório e à ampla defesa, mas destacou que o racismo é crime inafiançável e imprescritível, com pena prevista de dois a cinco anos, podendo haver agravantes.

A advogada envolvida já foi devidamente identificada no procedimento, e as investigações seguem em andamento.

Estudante de Jornalismo no Centro Universitário Una. Passagens por assessoria política, assessoria de imprensa e TV Alterosa, onde atuou como repórter, produtor e editor do Jornal da Alterosa. Atualmente, produtor do Plantão da Cidade, na Rádio Itatiaia.

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