Caixa vai ressarcir 15 prefeituras de Minas vítimas de golpes cibernéticos
Fraudes em contas da Caixa atingiram prefeituras mineiras há cerca de dez meses e comprometeram recursos destinados principalmente à saúde

A Caixa Econômica Federal deve ressarcir, até o fim de agosto, 15 prefeituras mineiras vítimas de golpes cibernéticos realizados a partir de contas da instituição. O ressarcimento foi definido em um acordo firmado nesta quarta-feira (29) entre a Caixa e os municípios afetados, durante uma reunião com a Associação Mineira de Municípios (AMM), o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) e o Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6).
As fraudes ocorreram há cerca de dez meses e provocaram prejuízos milionários aos cofres municipais. O caso mais grave foi registrado em Monte Sião, no Sul de Minas, onde o valor desviado chegou a R$ 6 milhões. Outras cidades como Carmópolis de Minas, Serro, Ribeirão Vermelho, Presidente Juscelino e Luz também foram afetadas.
Na maioria dos casos, os recursos desviados eram destinados à área da saúde, o que provocou impactos na gestão dos municípios e dificuldades para a manutenção de serviços públicos. O presidente do TCE-MG, Durval Ângelo, afirmou que o acordo foi construído após uma articulação com o TRF-6 para evitar que os municípios enfrentassem ainda mais prejuízos.
“Nós tivemos municípios, como Monte Sião, com R$ 6 milhões desviados. Isso representava uma parcela significativa do fundo da saúde e iria impossibilitar que as prefeituras fizessem a prestação de contas. Há um mês, acionei o presidente do TRF-6 e o desembargador Álvaro Ricardo de Souza Cruz, responsável pela mesa de conciliação do tribunal, e hoje temos nove acordos assinados e outros seis em andamento”, afirmou.
Segundo Durval Ângelo, os acordos garantem o ressarcimento dos valores e também estabelecem contrapartidas jurídicas. “A Caixa vai ser protegida, porque os prefeitos abrem mão de fazer representação por ressarcimento moral por parte da Caixa”, explicou.
O desembargador Álvaro Ricardo de Souza Cruz, do TRF-6, afirmou que os municípios já tinham ações judiciais em andamento, mas os processos foram suspensos para a busca de uma solução consensual. “Cada um dos municípios estava com uma ação judicial. Imediatamente pedimos a interrupção dos processos e estamos encaminhando uma solução consensual. Tem muita gente, hospitais e UPAs fechando, e pessoas sem atendimento no interior. Esperamos que a Caixa bata o martelo e entregue o dinheiro até o fim de agosto”, disse.
O presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Lucas Vieira, destacou que o acordo é importante para recuperar recursos que serão destinados à população. “Tivemos vários municípios que sofreram ataques cibernéticos e tiveram retiradas das contas quantias altas de dinheiro. Isso representa um risco para a gestão do prefeito e também para a dignidade de cada cidadão, já que esse dinheiro resgatado será revertido em ações”, afirmou.
Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na Itatiaia desde 2022, trabalhou na produção de matérias para a rádio, na Central Itatiaia de Apuração e foi produtora do programa Itatiaia Patrulha. Atualmente, cobre factual e é repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.



