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BH teve ao menos 244 acidentes com cerol em nove anos, diz Fhemig

Casos foram atendidos no Hospital João XXIII

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Foto divulgada pela PBH na 6ª edição da Campanha Cerol Mata • Divulgação PBH

Belo Horizonte registrou 244 atendimentos, no Hospital João XXIII, de acidentes envolvendo linhas com cerol desde 2018, segundo a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). Desse total, 12 casos foram neste ano, com levantamento feito até 26 de maio. 

Segundo a fundação, não há informações sobre mortes. No entanto, a Fhemig ressalta que acidentes por linhas cortantes costumam ser atendidos em Unidades de Pronto Atendimento (UPA). O órgão afirma que o Hospital João XXIII recebe os casos mais graves.

Conforme levantamento da Fhemig, os acidentes desse tipo neste ano já representam metade do total atendido no João XXIII em 2025 — que foi 24. 

Dos últimos anos, 2024 e 2020 tiveram os maiores números de casos registrados, com 32 e 34, respectivamente. Confira balanço da Fhemig completo:

  • 2026 (até 26/5) - 12 casos
  • 2025 - 24 casos
  • 2024 - 32 casos
  • 2023 - 28 casos
  • 2022 - 26 casos
  • 2021 - 26 casos
  • 2020 - 34 casos
  • 2019 - 31 casos
  • 2018 - 31 casos

Bebê morto por linha chilena 

O assunto acidentes com linhas cortantes veio à tona após Ravi Oliveira Dias, de 1 ano e 9 meses, morrer ao ser atingido pela linha chilena de uma pipa nessa quarta-feira (27). O caso ocorreu em uma rua no bairro Arvoredo II, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde o bebê estava brincando. 

A irmã de Ravi, Nahuana de Oliveira Santos, de 21 anos, relatou que a vítima estava em um carrinho de bebê com outro familiar quando foi ferido pelo cerol. "Um menino estava soltando papagaio, a linha passou na moto que estava na rua e passou no pescoço dele", explicou.

A jovem ainda relatou que é rotineiro ter a prática de soltar pipas com linhas cortantes na região. "Já tinha brigado com algumas crianças, mas não adianta. Hoje perdi meu irmão, quantas crianças mais vão precisar morrer? Podia ter sido eu", lamentou Nahuana.

Um homem, de 19 anos, foi preso suspeito de ter soltado a pipa com linha chilena que matou Ravi. A prisão em flagrante pelo crime de homicídio culposo foi ratificada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), por meio da Central Estadual do Plantão Digital. 

A PCMG informou ainda que deslocou a perícia oficial ao local dos fatos, onde realizou a coleta do material utilizado pelo suspeito. O caso está sob investigação.

Qual a diferença entre cerol e linha chilena?

Conforme publicação no Jornal da USP, Hamilton Lelis, pesquisador do Laboratório de Corrosão e Proteção do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), afirmou que a linha chilena é ainda mais perigosa que a linha com cerol.

Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Mato Grosso, o "cerol é uma mistura de vidro moído e cola, usada para aumentar a resistência das linhas e facilitar o corte de outras. Já a linha chilena é produzida com materiais como pó de quartzo e óxido de alumínio, o que a torna ainda mais cortante do que a linha com cerol."

A Prefeitura de Belo Horizonte informa que a legislação proíbe o uso de linhas cortantes, "ficando o responsável sujeito ao pagamento de multas que variam entre R$ 100 e R$ 1,5 mil. Nos casos em que o cerol ou a linha chilena causarem ferimentos ou morte, o infrator poderá ser punido criminalmente", informou durante a 6ª edição da Campanha Cerol Mata, realizada em 2023.

 

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Jornalista pela PUC Minas. Na Itatiaia, escreve para Minas Gerais e Brasil. Anteriormente, trabalhou no jornal Estado de Minas como repórter de Gerais, com contribuições para os cadernos de Política, Economia e Diversidade.

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Laura Gorino é mineira e jornalista formada pela UFOP. Atualmente como repórter multimídia na Itatiaia, com passagem prévia pela filial da rádio em Ouro Preto.