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BH é a capital que registrou a maior alta em homicídios estimados, aponta Atlas da Violência

De acordo com os dados, referentes ao ano de 2024, houve alta de 59,1% no percentual de mortes violentas por 100 mil habitantes em um ano, maior patamar entre as capitais do Brasil

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Belo Horizonte, capital de Minas Gerais • Malcon Oliveira/Pexels

Belo Horizonte é a capital brasileira que registrou o maior percentual de aumento nos homicídios estimados, conforme dados registrados pelo Atlas da Violência 2026, divulgado na manhã desta terça-feira (26). O estudo é feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

De acordo com os dados, referentes ao ano de 2024, houve alta de 59,1% no percentual de mortes violentas por 100 mil habitantes em um ano, maior patamar entre as capitais do Brasil. Ainda, nos últimos cinco anos, a quantidade de homicídios por 100 mil habitantes avançou 50,5% em Belo Horizonte, que também lidera o ranking das capitais no Brasil.

O aumento, especialmente entre 2023 e 2024, ocorreu a reboque dos “homicídios ocultos” que representaram 65,2% das mortes violentas na capital no ano retrasado. Em contrapartida, o percentual de homicídios por 100 mil habitantes em Belo Horizonte ainda é menor do que fora há 10 anos, com queda de 18,8% no período, segundo o Atlas da Violência.

A média na capital mineira é maior do que a registrada no Brasil. São 28 homicídios por 100 mil habitantes em Belo Horizonte, ante 26,6 em média no país. Em contraste, Salvador é a capital com o maior índice, com 52,7 por 100 mil habitantes.

Segundo o estudo, o Brasil registrou 52.590 homicídios em 2024, com 20,1 casos por 100 mil habitantes, redução de 7,4% na comparação com 2023. É o menor patamar da série histórica, iniciada em 2014.

Belo Horizonte registrou, em absoluto, 235 homicídios registrados entre 2023 e 2024, mas houve 441 homicídios ocultos na capital de Minas Gerais no período, o que eleva o total de homicídios estimados para 676.

Os números discrepantes entre homicídios registrados e homicídios ocultos, segundo o estudo, “sugerem que a interpretação do quadro das capitais não deve se restringir às taxas registradas, pois a qualidade da classificação dos óbitos afeta diretamente a leitura da violência letal em centros estratégicos”.

Homicídios ocultos

O estudo considera como homicídios ocultos aqueles que foram registrados nas bases de dados oficiais como morte violenta por causa indeterminada, que podem ser suicídios, homicídios ou acidentes.

“Numa situação em que a polícia não saiba o que ocorreu com a vítima, ou que, por várias questões técnicas não haja compartilhamento adequado de informações, a secretaria de saúde termina classificando o óbito como morte violenta por causa indeterminada”, define o Atlas.

Com isso, os institutos desenvolveram uma técnica, via aprendizado de máquinas, para que se estime se houve homicídio ou não, com base em dados das vítimas e da situação em que o óbito se deu.

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Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.