Imprudência, uso de celular ao volante, estreitamento de vias e desrespeito às leis de trânsito estão entre os principais desafios enfrentados por motociclistas em Belo Horizonte. A capital concentra quase 30% dos acidentes com motos em Minas Gerais, segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).
Quem vive o dia a dia sobre duas rodas relata um cenário cada vez mais difícil. Motociclista profissional, Reginaldo Vieira da Rocha, de 43 anos, aponta aumento no volume de veículos e também preconceito no trânsito.
“O motociclista nunca teve uma vida muito fácil no trânsito. Muitas vezes, o justo paga pelos pecadores. Alguns motoristas veem todos os motociclistas da mesma forma. Além do trânsito mais carregado, existe um certo preconceito.”
Ele também destaca a falta de apoio entre os condutores. “A demanda está aumentando muito. O trânsito de Belo Horizonte não comporta mais a quantidade de veículos. Tem muito motorista imprudente, mas também tem motociclista que contribui para isso.”
Motoboy, Francisco da Silva Araújo reforça a dificuldade de circulação e os riscos constantes.
“O trânsito é muito lento. A gente leva muita fechada de caminhão, de carro maior. É congestionamento o tempo todo, durante a semana e até no fim de semana.”
Sobre o aumento de acidentes, ele aponta falhas de ambos os lados. “Tem motociclista que abusa, principalmente os mais novos. Mas também tem motorista que não dá passagem, não respeita, e isso acaba provocando acidente.”
Já o vendedor Rogério Machado Almim chama atenção para problemas estruturais e comportamentais no trânsito da capital.
“O maior problema hoje é a estrutura. O estreitamento das vias dificulta muito. A cidade não acompanhou o aumento de veículos. Isso aumenta o risco, porque todo mundo está com pressa.”
Ele também cita fatores como álcool e uso de celular. “Falta fiscalização. Tem muita gente que provoca acidente alcoolizada e não é responsabilizada. E o uso do celular ao volante também é um problema grave.”
Especialistas apontam que, além da conscientização, melhorias na infraestrutura e fiscalização mais rigorosa são fundamentais para reduzir o número de acidentes e tornar o trânsito mais seguro para todos.