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Balsa desgovernada assusta moradores no Norte de Minas Gerais

Caso ocorreu na travessia do Rio São Francisco, que liga vários municípios; morador denuncia problemas técnicos do transporte na região

Por e 
Após os dois rebocadores apresentarem defeito, a balsa ficou sem controle, foi levada pela correnteza e só parou cerca de três quilômetros depois • Reprodução/Redes Sociais

Um problema grave na balsa que faz a travessia do Rio São Francisco, no Norte de Minas, e conecta cidades como Juvenília, Montalvânia e o sul da Bahia, evidenciou a fragilidade do transporte na região. Após os dois rebocadores apresentarem defeito, a balsa ficou sem controle, foi levada pela correnteza e só parou cerca de três quilômetros depois.

O caso ocorreu nessa segunda-feira (31) e foi solucionado na madrugada de terça (1º). Não há registro de feridos. De acordo com João Cordoval de Barros, funcionário público, ex-prefeito de Matias Cardoso (2005 a 2012), as condições do rio dificultaram a navegação. "O rio está muito cheio, já dificulta até para a balsa ancorar. A água é mais pesada e a balsa tem mais dificuldade de parar", explica.

A operação, que depende de dois rebocadores, entrou em colapso quando o primeiro quebrou. Mesmo assim, por ser uma rota importante, o serviço continuou. Só que o outro rebocador também apresentou defeito. "A balsa não é da prefeitura, é concessão. Foi feita uma licitação há três anos atrás, onde uma empresa de fora ganhou... trouxe essas balsas lá do Pará", esclarece o relato.

Segundo informações obtidas pela Itatiaia, o serviço de balsa na travessia entre os municípios de Matias Cardoso e Manga é de responsabilidade da empresa Navegação Confiança (Nacon). A Defesa Civil de Manga informou que a situação foi solucionada pela própria empresa, na madrugada desta terça-feira (1º) sem necessidade de acionamento do órgão.

Ainda com os problemas técnicos, a travessia movimenta muito dinheiro. De acordo com o João, a cada meia hora, cerca de 30 carros atravessam pagando mais de R$ 20 cada. Para caminhões, o valor é ainda mais alto. "Caminhão é uma fortuna, tem até de R$ 300 um caminhão", explicou. A principal suspeita para o mau estado das embarcações é a falta de investimento da empresa responsável. De acordo com João, uma ponte, financiada pela Vale, está sendo construída para ligar Matias Cardoso a Manga, e deve substituir o serviço de balsas em breve.

"A pessoa sabe que essa mina de ouro está com os dias contados. Então, não vai investir, não vai colocar rebocador em boas condições nem fazer melhorias, sabendo que o serviço está perto do fim", desabafa João.

A Vale informou que os recursos da obra são do Acordo de Brumadinho — destinado para reparar danos socioambientais e socioeconômicos causados pelo rompimento da barragem no município em 2019 — mas a mineradora não participa das obras. O consórcio Ponte Francisco, responsável pela construção, venceu a licitação do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) em agosto de 2025.

A Itatiaia solicitou um posicionamento para a Navegação Confiança (Nacon), responsável pela balsa, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. O texto será atualizado assim que a reportagem receber um retorno.

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Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.