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Argentino vira réu por injúria racial contra criança durante passeio de Maria Fumaça em Minas

Eduardo Ignacio Murias é acusado de fotografar um menino, de 7 anos, e compartilhar as imagens com mensagens racistas, insinuando que poderia levar a criança como escravo

Por e 
Argentino vira réu por racismo contra criança em Maria Fumaça • Imagem cedida à Itatiaia

Eduardo Ignacio Murias, de 63 anos, virou réu por injúria racial cometida contra uma criança na Maria Fumaça que liga São João del-Rei e Tiradentes, no Campo das Vertentes de Minas Gerais. De acordo com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), a denúncia foi em recebida na última quarta-feira (10) e agora o processo segue para a fase de instrução. O caso está sob segredo de justiça.

Eduardo é acusado de fotografar um menino, de 7 anos, e compartilhar as imagens com mensagens racistas, insinuando que poderia levar a criança como escravo. Ele foi preso em flagrante no dia 24 de maio. Nas mensagens, o argentino escreveu: "Estou pensando em levar um escravo, há muitos por aqui. Posso levar um escravo para cuidar das suas netas. Ao meu lado no trem [envia foto da vítima], ele é negro, mas muito bonito. Posso levá-lo como escravo."

Em nota, a defesa do réu confirmou que o Ministério Público ofereceu denúncia perante o Juízo da 1ª Vara Criminal da Comarca de São João del-Rei. "A defesa apresentará, no prazo legal, resposta à acusação, demonstrando as razões pelas quais entende que a imputação não se sustenta. Por se tratar de processo em segredo de justiça, a defesa não comentará o conteúdo das provas ou das teses, reservando-se a fazê-lo nos autos. A defesa confia na atuação imparcial do Poder Judiciário e reafirma a presunção de inocência que assiste ao cliente", afirmou o advogado Ciro Chagas.

Mãe da vítima se manifestou

Em entrevista à Itatiaia, a mãe da criança, profissional da saúde de 32 anos, contou que a viagem era a primeira da família fora do Rio de Janeiro e que ela comemorava aniversário. Ela revelou ainda que, antes das fotos, o argentino tinha feito um vídeo do filho na estação de São João del-Rei, no início do passeio.

"A gente teve acesso a uma outra mensagem dele dizendo que ia levar uma menina e um menino. Ele não se refere para que ele seria escravo. A gente não sabe se é algo sexual, mas a menina ele diz que iria levar para ser babá da pessoa que ele estava conversando", disse a técnica de enfermagem.

A mãe contou ainda que o alerta sobre a situação foi dado por outros passageiros, que perceberam a atitude suspeita do argentino. Ela então tomou o aparelho do argentino e exigiu que ele mostrasse as mensagens.

“A gente pediu ao maquinista para parar, mas ele informou que não poderia realizar a parada naquele momento”, explicou a mãe. Passageiros colaboraram ligando para o serviço de emergência da PM (190), que orientou a família a aguardar a chegada na estação de Tiradentes.

A Polícia Militar chegou rapidamente à estação. Após verificarem o conteúdo no aparelho celular do homem, os policiais deram voz de prisão imediata.

Apesar do susto e do estado de choque da criança, a mãe destacou a solidariedade encontrada em Minas Gerais. Ela elogiou a postura acolhedora das pessoas que ajudaram no trem, dos funcionários da VLI (empresa responsável pelo serviço), de quem fez a denúncia e dos policiais que realizaram o atendimento. "Infelizmente, foi uma pessoa que nem mora aqui que fez isso com meu filho", lamentou a mãe, ressaltando que, apesar do trauma, sentiu-se amparada pelas autoridades locais.

Em nota, a VLI, administradora da Maria Fumaça, lamentou profundamente o episódio. “A VLI repudia o racismo e qualquer forma de discriminação. Tão logo a equipe local foi informada sobre o ato cometido pelo turista, acionou a polícia, que compareceu ao local e efetuou a prisão do acusado. A companhia permanece à disposição das autoridades para contribuir com a investigação do episódio”.

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Jornalista pela PUC Minas. Na Itatiaia, escreve para Minas Gerais e Brasil. Anteriormente, trabalhou no jornal Estado de Minas como repórter de Gerais, com contribuições para os cadernos de Política, Economia e Diversidade.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.