Após mais de um ano afastada, delegada esposa de Renê é transferida para setor administrativo
Ana Paula Lamego Balbino está de licença médica desde 13 de agosto; ela foi indiciada por prevaricação

A delegada Ana Paula Lamego Balbino, esposa de Renê da Silva Nogueira Júnior, réu por matar o gari Laudemir de Souza Fernandes, foi transferida para prestar serviço na Diretoria de Administração e Pagamento de Pessoal (SPGF). A decisão foi tomada após deliberação unânime do Órgão Especial do Conselho Superior da Polícia Civil de Minas Gerais. A delegada ocupa nível especial da carreira e era titular da Casa da Mulher Mineira.
Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que a remoção de policiais civis observa as disposições previstas no Art. 56, § 2º da Lei Complementar nº 129/2013. "A PCMG esclarece que a medida está relacionada à situação funcional da servidora e observa os critérios e procedimentos administrativos previstos na legislação", afirmou.
A transferência foi divulgada no Diário Oficial do Estado de Minas Gerais. De acordo com o texto, a decisão considera o afastamento da servidora, que está licenciada desde 13 de agosto, cerca de dois dias após a morte do gari Laudemir. O marido dela é réu pelo crime. Já a delegada foi indiciada por prevaricação e por porte ilegal de arma de fogo, já que a arma usada no crime era dela.
De acordo com o portal da transparência, Ana Paula segue sendo remunerada. Em junho, o último mês disponível para a consulta, ela recebeu R$ 19.248,24.
Depois do homicídio de Laudemir, um procedimento administrativo foi instaurado pela Corregedoria da PCMG para investigar a participação da delegada no crime. As investigações apontam que a arma de Ana Paula foi utilizada por Renê no crime.
A Itatiaia procurou a defesa da delegada, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto.
Delegada foi indiciada
Ana Paula foi indiciada por prevaricação, que, segundo o código penal, ocorre quando um funcionário público retarda ou deixa de praticar um ato de ofício por motivo de interesse.
A servidora também foi indiciada por porte ilegal de arma de fogo, no entendimento da Lei de Desarmamento por ter cedido ou emprestado sua pistola de uso pessoal para o companheiro.
As investigações revelaram ainda que, em outras ocasiões, a delegada permitia e tinha ciência de que Renê usava a pistola de uso pessoal dela.
Como foi o crime?
Em 11 de agosto, Laudemir foi baleado enquanto realiza uma coleta no bairro Vista Alegre, na Região Oeste de Belo Horizonte. O empresário Renê Júnior foi preso horas depois do crime no estacionamento da academia que frequentava, suspeito de ter sido o autor dos disparos. As investigações apontam que ele teria usado a arma da esposa, delegada da Polícia Civil, para cometer o crime.
Renê Júnior foi pronunciado em 28 de janeiro de 2026 em decisão proferida pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do Tribunal do Júri, 1º Sumariante de Belo Horizonte. Com a decisão, o réu pelo assassinato do gari Laudemir será levado a júri popular.
Ao decidir pela pronúncia, a juíza considerou haver provas da materialidade e indícios suficientes de autoria para o caso ser analisado pelo Conselho de Sentença. As qualificadoras de motivo fútil, perigo comum e recurso que dificultou a defesa da vítima foram mantidas pela magistrada, que destacou a “frieza da conduta” e a “completa indiferença” demonstrada pelo acusado em relação à vida humana.
Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo
Jornalista pela PUC Minas. Na Itatiaia, escreve para Minas Gerais e Brasil. Anteriormente, trabalhou no jornal Estado de Minas como repórter de Gerais, com contribuições para os cadernos de Política, Economia e Diversidade.
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.





