Quase 40% das mulheres brasileiras sofreream algum tipo de violência no último ano
Mulheres vítimas relataram, em média, mais de três tipos diferentes de violência; um em cada 10 mulheres sofreram abuso sexual

37,5% do total de mulheres do país - ou seja, 21 milhões brasileiras de 16 anos ou mais - sofreram algum tipo de agressão nos últimos 12 meses. O dado que escancara que o Brasil é um país inseguro para as mulheres foi publicado nesta segunda-feira (10) em pesquisa do Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública chamada “Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil".
A pesquisa também mostra que 5,3 milhões de mulheres, 10,7% do total da população feminina do país, relataram ter sofrido abuso sexual e/ou foi forçada a manter relação sexual contra a própria vontade nos últimos 12 meses, ou seja, uma em cada 10. Veja os números das principais violências;
- ofensas verbais: 31,7% (17,7 milhões)
- agressão física: 16,9% (8,9 milhões)
- ameças de agressão: 16,1% (8,5 milhões)
- stalking: 16,1% (8,5 milhões)
- abuso sexual: 10,7% (5,3 milhões)
- divulgação de fotos ou vídeos íntimos sem consentimentos: 3,9% (1,5 milhão)
Conforme o levantamento, os principais agressões são praticadas por parceiros (40%) ou ex-parceiros (26,8%). Chama atenção de que a maioria das agressões ocorreu na presença de terceiros (91,8%). Em 47,3% desses casos, quem presenciou foram amigos ou conhecidos; em 27%, os filhos; e em 12,4%, outros parentes.
A casa da vítima (57%) é o local mais inseguro para as vítimas. De acordo com os dados, 11,6% na rua, 3,3% bar/balada, 5% na internet, 2,3% no trabalho e 20,8% em outros.
Perfil das vítimas
A prevalência é maior entre mulheres com idade entre 25 e 34 anos (46,8%) e 45 a 59 anos (44,9%), com ensino fundamental (45,5%), e entre negras (41,9%) comparativamente às mulheres brancas (37,8%).
Considerando a religião da vítima, 42,7% das mulheres evangélicas afirmaram ter sofrido alguma forma de violência por parte do parceiro íntimo, índice de 35,1% entre as católicas.
A busca por ajuda
Ainda de acordo com a pesquisa, a principal “atitude” em relação à agressão mais grave sofrida é, na verdade, não fazer nada (47,4%). Esse é um padrão que se repete deste a primeira edição desta pesquisa, em 2017, e que "sugere a persistência de barreiras , emocionais e institucionais que dificultam a busca por apoio e proteção", conforme descrição do próprio levantamento.
Somente 25,7% das mulheres que sofreram violência no último ano buscaram órgãos oficiais, enquanto 33,8% procuraram órgãos não oficiais (como família e amigos), e 47,4% não fizeram nada.
Denuncie
- Em caso de emergência, quando há necessidade de intervenção imediata, ligue 190.
- Em caso de violência contra meninas e mulheres que não requerem intervenção imediata, disque 180.
Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.



