Páscoa: como diferentes religiões celebram a data ao redor do mundo
Do cristianismo ao islamismo, tradições destacam renovação, fé e novos ciclos espirituais

O domingo de Páscoa é uma das datas mais importantes do calendário da liturgia cristã, marcando a celebração da morte e ressurreição de Jesus Cristo. A data também dá início a um período de 50 dias, conhecido como Tempo Pascal, que se estende até a solenidade de Pentecostes, neste ano celebrada em 24 de maio.
A celebração cristã da Páscoa incorpora elementos da tradição judaica, como o simbolismo do cordeiro. Em diferentes religiões, o período também é associado a reflexões sobre renovação, transformação espiritual e a ideia de passagem para um novo ciclo, marcado pela esperança. Seja por meio de práticas como jejum, caridade ou rituais de purificação, a época reúne diferentes crenças em torno de valores comuns ligados ao recomeço.
Judaísmo
A Páscoa cristã tem origem na tradição judaica. Conhecida como Pessach, a celebração relembra a libertação do povo hebreu da escravidão no Egito, simbolizada pela travessia do Mar Vermelho. O relato aparece no capítulo 12 do livro do Êxodo e está associado à ideia de vida nova. Tradicionalmente celebrada em família, a data representa um momento de agradecimento a Deus pela libertação.
Segundo o ex-presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), Fernando Lottenberg, o termo “Pessach” significa passagem. “É a passagem de um modo de vida a outro, do estado de escravidão para a responsabilidade de sermos livres”, afirmou em comunicado. Ele destaca ainda que a celebração convida os fiéis a refletirem sobre a experiência dos antepassados. “A narrativa busca nos colocar no lugar daqueles que viveram aquele contexto, compreendendo suas escolhas e significados, conectando passado e presente”, completou.
Igreja Ortodoxa
As igrejas ortodoxas celebram a Páscoa com base no calendário juliano, instituído por Júlio César em 46 a.C., diferentemente do calendário gregoriano adotado pela Igreja Católica. A definição da data segue critérios astronômicos e foi tema de debates desde os primeiros séculos do cristianismo. Um concílio realizado em 325 estabeleceu a unificação da celebração, que permaneceu até 1582, quando a Igreja Romana promoveu a reforma do calendário.
Desde então, a Igreja Ortodoxa segue regras próprias: a Páscoa deve ocorrer em um domingo, após a lua cheia que sucede o equinócio da primavera no hemisfério norte, e sempre depois da Páscoa judaica.
Espiritismo
A doutrina espírita não celebra a Páscoa como uma data específica, embora siga os ensinamentos do Evangelho de Jesus. Ainda assim, respeita a importância da data para judeus e cristãos e compartilha valores simbólicos associados à renovação espiritual.
Para os espíritas, a mensagem da Páscoa deve ser vivenciada ao longo de todo o ano, com base nos ensinamentos de Jesus. A doutrina frequentemente destaca trechos bíblicos, como o da carta de São Paulo aos Gálatas, que reforçam a ideia de transformação interior e fé.
Islamismo
No islamismo, a Páscoa não é celebrada da mesma forma que no cristianismo. Os muçulmanos reconhecem Jesus como um profeta, citado em diversas passagens do Alcorão, mas não atribuem a ele natureza divina. Segundo a Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras), o islamismo é uma religião monoteísta que acredita em um único Deus.
O período de maior relevância religiosa é o Ramadã, considerado sagrado. Durante cerca de 30 dias, os fiéis praticam o jejum diário, abstendo-se de alimentos, bebidas e outras práticas desde a alvorada até o pôr do sol. O período é voltado à purificação espiritual e ao fortalecimento de valores como paciência, respeito e solidariedade.
Candomblé e umbanda
As religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda, também possuem práticas próprias durante o período da Semana Santa, embora distintas dos ritos cristãos. Durante a quaresma, iniciada na Quarta-feira de Cinzas, alguns terreiros suspendem atividades em referência ao período conhecido como Lorogun, associado a um tempo de recolhimento e equilíbrio espiritual.
Segundo a tradição, trata-se de um momento simbólico em que os orixás estariam em conflito contra forças negativas. Ao fim desse ciclo, tem início um novo ano litúrgico nas religiões de matriz africana.
* Com informações de CNN
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