Bacabal-MA: advogada divulga resultado de teste de DNA entre mãe de irmãos desaparecidos e crianças encontradas nos EUA
Agatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, estão desaparecidos desde janeiro deste ano; buscas agora alcançam cenário internacional e paradeiro das crianças é acompanhado pela Interpol

O exame de DNA realizado com material genético de Clarice, mãe de Agatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, afastou a possibilidade de que os irmãos estejam entre as 163 crianças localizadas nos Estados Unidos no início deste mês. O resultado negativo foi divulgado pela advogada da família, Nathaly Moraes, em uma publicação nas redes sociais no início desta semana.
Segundo a criminalista, o exame faz parte de uma estratégia para manter um perfil genético de referência da mãe, que poderá ser utilizado em futuras comparações caso alguma criança seja localizada, identificada ou resgatada, inclusive fora do Brasil.
A realização do teste ocorreu depois que a família levantou a possibilidade de Allan estar entre crianças encontradas durante uma operação nos Estados Unidos. A suspeita surgiu após familiares identificarem semelhanças entre o menino desaparecido e uma das crianças localizadas na Flórida.
Advogada e polícia tiveram versões diferentes
Antes da confirmação por meio do exame genético, houve um embate entre a defesa da família e as autoridades brasileiras sobre a possibilidade de Agatha e Allan estarem entre as crianças encontradas nos Estados Unidos.
A Polícia Civil do Maranhão informou, com base em informações repassadas pela Polícia Federal, que os irmãos não estavam entre as crianças localizadas no exterior. Segundo a PF, as autoridades norte-americanas haviam informado que nenhuma criança brasileira estava entre as 163 pessoas encontradas durante a operação.
A advogada Nathaly Moraes, no entanto, afirmou que a família e a defesa não haviam recebido uma comunicação oficial sobre o descarte da hipótese. Na ocasião, ela disse que não pretendia eliminar nenhuma possibilidade de identificação enquanto não houvesse uma manifestação oficial da Polícia Federal acompanhada dos esclarecimentos necessários.
Mesmo diante das informações divulgadas pelas autoridades, Clarice forneceu material genético à Polícia Federal para que fosse feita a comparação. O procedimento buscava esclarecer de forma técnica se a criança localizada nos Estados Unidos poderia ser Allan. Agora, com o resultado do exame, a hipótese de que os irmãos estejam entre as crianças encontradas naquela operação foi totalmente afastada.
Relembre o desaparecimento dos irmãos
Agatha Isabelly, de 6 anos, Allan Michael, de 4, e o primo Anderson Kauã, de 8, desapareceram em 4 de janeiro de 2026, depois de saírem para brincar nas proximidades da casa da avó, em uma área de mata do território quilombola de São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, no Maranhão.
Três dias depois, Anderson foi encontrado com vida em uma área de mata próxima ao local onde as crianças haviam sido vistas pela última vez. Ele estava debilitado e desidratado e recebeu atendimento médico. Posteriormente, passou por acompanhamento psicológico.
Em depoimento especial à polícia, Anderson contou que os três caminharam pela mata até uma casa abandonada conhecida na região como “casa caída”. Em determinado momento, ele se separou dos primos para procurar ajuda e acabou se perdendo.
Cães farejadores indicaram que as crianças passaram pela casa abandonada. As equipes de busca, entretanto, não encontraram no local elementos suficientes para esclarecer o que aconteceu com Agatha e Allan depois. E, até o momento, novas pistas não foram encontradas.
Desde o desaparecimento, buscas foram realizadas por policiais, bombeiros, Defesa Civil, exército, marinha voluntários e moradores. As equipes utilizaram cães farejadores, drones, helicópteros, embarcações e equipamentos de georreferenciamento, além de buscas terrestres, aquáticas e aéreas. O caso também foi incluído no protocolo Amber Alert.
Buscas continuam
Apesar de o exame afastar a hipótese relacionada às crianças encontradas nos Estados Unidos, a advogada afirma que o resultado não encerra a procura por Agatha e Allan. Na nota divulgada nas redes sociais, Nathaly Moraes afirmou que a coleta do material genético permite manter uma referência para futuras comparações. Segundo ela, o perfil poderá ser confrontado com material de qualquer pessoa localizada ou identificada posteriormente, inclusive fora do Brasil.
A advogada também destacou que a investigação deve continuar com o uso de mecanismos nacionais e internacionais, com cooperação entre autoridades. A Interpol já havia colocado ferramentas de cooperação internacional à disposição das autoridades brasileiras para auxiliar nas buscas caso surgissem informações de que os irmãos estivessem fora do país.
Em sua manifestação mais recente, Nathaly reforçou que, apesar do resultado do exame, a família continuará buscando informações sobre o paradeiro das crianças e que a estratégia de investigação deve seguir para além das fronteiras brasileiras.
Confira a publicação da advogada:
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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.


