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Loja mineira é acusada de cobrar até R$ 300 por doce em exposição no Ceará

O Ministério Público do Ceará realizou uma fiscalização na barraca após receber denúncias e constatou que os preços não estavam exibidos de forma clara aos consumidores

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Reprodução / Expocrato.

Uma doceria mineira é acusada de práticas abusivas contra consumidores durante a Exposição Agropecuária do Crato (Expocrato), no Ceará. Clientes que estiveram no local na última quinta-feira (16) relatam que pagaram valores de até R$ 300 por um único produto.

Segundo os relatos, a informação visível era de que os doces custavam R$ 19,90 a cada 100 gramas. Após o consumidor indicar o tamanho da fatia desejada, o produto era pesado e somente então o valor final era informado.

Em alguns casos, os clientes perceberam que o preço do produto ficava muito acima do esperado, mas afirmam que não tiveram a possibilidade de desistir da compra.

O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) realizou uma fiscalização na barraca após receber denúncias e constatou que os preços não estavam exibidos de forma clara aos consumidores. De acordo com a equipe de vistoria, não havia indicação do tamanho ou do peso das porções, de modo que os clientes faziam a compra sem saber qual seria o valor final.

Segundo o promotor de Justiça Thiago Marques, as informações sobre preço, quantidade e qualidade precisam estar expressas de forma visível e transparente ao consumidor. "O adequado é a pessoa ver um produto e saber a que corresponde 100 gramas para pedir um tamanho parecido a ser pesado. É diferente quando a pessoa, apenas no 'olhômetro', pede o corte do doce. Em compras presenciais, o consumidor não é obrigado a finalizar a compra em todas as circunstâncias, ainda mais quando percebe inconsistências, como é o caso das dúvidas geradas por produtos vendidos por peso, seja por quilo ou por grama", explicou.

O MPCE recomendou a melhoria na exposição das informações sobre os produtos, inclusive em relação ao prazo de validade. Caso o estabelecimento não faça as adequações, poderá ser interditado.

O que diz o estabelecimento?

Em um vídeo publicado nas redes sociais, um representante da Doceria Deleites, envolvida no caso, negou que tenha havido "golpe" ou "enganação". "A gente produz doces de leite e cocadas há vários anos e leva isso para o Brasil todo. Nunca enfrentamos nada parecido com o que a gente está passando hoje aqui em Crato", disse.

De acordo com o homem, identificado como Fausto, há pessoas que "não entendem direito as coisas" explicadas durante a venda.

Ele afirma que a empresa informa que 100 gramas do doce custam R$ 19,90 e que 1 quilo custa R$ 199. Com base nessa informação, o cliente pode escolher o tamanho do doce que deseja. "Não tem como a gente mensurar, em uma barra de 25 quilos, uma fração exata de 100 gramas. Explicamos que, depois de cortado, o doce não pode ser devolvido. A Vigilância Sanitária orientou dessa forma", afirmou.

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Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.