MP diz que motorista de Porsche pressionou namorada para negar que ele estava bêbado
Promotora considerou as declarações da mulher como 'contaminadas' pelo empresário; Fernando Sastre de Andrade Filho, de 24 anos, foi denunciado por homicídio culposo

O Ministério Público de São Paulo afirma que o empresário Fernando Sastre de Andrade Filho, que conduzia a Porsche que matou um motorista de aplicativo em São Paulo, pressionou a própria namorada para que ela negasse que ele estivesse bêbado. As informações são do portal UOL.
A promotora de justiça Monique Ratton considerou as declarações da mulher como "contaminadas". Segundo a promotora, a namorada de Fernando teria sido "compelida, pressionada e convencida" por ele a dar um depoimento diferente da namorada do passageiro do Porsche, que afirmou que o grupo havia bebido na noite do acidente.
No dia do acidente, Fernando e a namorada foram com um casal de amigos em um restaurante em São Paulo. No local, o grupo consumiu nove bebidas alcoólicas, entre elas: oito drinks feitos com whisky, licor, xarope de limão e angostura, além de uma caipirinha. Após comerem e beberem no estabelecimento, o grupo seguiu para uma casa de poker. A batida aconteceu após Fernando deixar a casa de jogos.
"Desde o momento do acidente há claro intuito (...) de tentar diminuir a gravidade dos fatos escondendo a embriaguez do condutor e retirando seu estado flagrancial para comprometer as investigações - o que restou comprovado diante das imagens das câmeras corporais dos policiais", afirmou Ratton.
MP denunciou empresário por homicídio culposo
O MP denuncia o empresário por homicídio doloso, qualificado e lesão corporal gravíssima, ambos na modalidade por dolo eventual. O órgão pede, ainda, a prisão preventiva dele.
Segundo o MP, Fernando ingeriu álcool em dois estabelecimentos antes de dirigir. A namorada dele e amigos tentaram impedir, mas ele não obedeceu. O acidente aconteceu no dia 31 de março, na Avenida Salim Farah Maluf, zona leste da capital paulista.
Segundo o laudo da Polícia Civil, ele dirigia a 156 km/h em uma via em que o limite é de 50km/h. Ele foi liberado pelos policiais sem realizar o teste do bafômetro e se apresentou à polícia 36h depois.
Segundo testemunhas, ele estava visivelmente embriagado, mas foi liberado junto com a mãe. A mulher havia afirmado afirmou que levaria o filho a um hospital no Ibirapuera, porque ele estava com ferimento na boca. No entanto, quando os militares foram ao local para colher a versão dele e realizar o teste do bafômetro, descobriram que ele não deu entrada em nenhum hospital da rede.
O acidente
Um empresário de 24 anos bateu um Porsche avaliado em R$ 1 milhão em um Renault Sandero na madrugada deste domingo (31), em uma avenida de Tatuapé, na zona Leste de São Paulo. Com o acidente, o motorista de aplicativo de 52 anos que conduzia o Renault morreu ao dar entrada no hospital, enquanto o motorista fugiu sem prestar socorro.
O motorista de aplicativo que pilotava o Renault, Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos, chegou a ser socorrido pelos bombeiros com um quadro de parada cardiorrespiratória, mas morreu logo depois de dar entrada em um hospital de Tatuapé. Ornaldo estava sozinho no momento do acidente.
Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.


