Mineiros mortos em BMW: vítima teve infância difícil e queria ‘mudar de vida’
Vítima se mudou para Florianópolis com o objetivo de ajudar financeiramente a família, a partir de uma empresa de Marketing Digital

Uma das vítimas encontradas mortas dentro de uma BMW em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, teve infância difícil e queria “mudar de vida”. Segundo um primo de Nicolas Oliveira Kovaleski, de 16 anos, ele cresceu na zona rural de Paracatu, no Noroeste de Minas, e queria ajudar a família.
“Na infância ele teve muito sofrimento, passou fome, foi abandonado pelo pai, deixando sozinho com a mãe e dois irmãos”, contou Leonardo Reis à Itatiaia. Segundo ele, o jovem conheceu Gustavo Pereira Elias, de 24 anos, e Karla Aparecida dos Santos, de 19, outras duas vítimas, na zona rural e eles se mudaram para Florianópolis com o mesmo objetivo.
“Eles se conheceram na escola da zona rural e pegaram amizade desde essa época. Ele [Nicolas] viu as dificuldades da mãe, fome, sem casa própria, e queria lutar por um futuro melhor pra ela”, disse.
Nicolas se mudou para Florianópolis com o objetivo de ajudar financeiramente a família, a partir de uma empresa de Marketing Digital. Gustavo, uma das vítimas, estava no processo de abertura do negócio.
O adolescente estava no banco de trás da BMW, junto de Gustavo. Tiago de Lima Ribeiro, de 21 anos, dirigia o carro, e Karla estava no banco do passageiro. O grupo havia ido até a rodoviária de Balneário Camboriú para buscar a namorada de Gustavo, não identificada, no dia 1º de janeiro.
Quando a jovem chegou, o grupo relatou que estava passando mal, com vômitos e tonturas. Eles acreditavam que a causa seria um cachorro-quente que comeram na praia. Nicolas teria acionado o SAMU, mas, pelo atendimento não ser considerado de urgência, os paramédicos o orientaram a procurar um hospital.
Por estarem se sentindo mal, os jovens optaram por continuar dentro do carro ao invés de procurar atendimento hospitalar, já que estavam distantes do hospital mais próximo. A única sobrevivente da tragédia optou por ficar fora do veículo, já que se sentia bem, e se dirigiu à rodoviária.
A jovem voltou ao carro algumas vezes e, na última, iria incentivá-los a retornar à viagem, mas encontrou os quatro jovens mortos, com sinais de convulsão. Ela, então, pediu ajuda. Polícia Militar, Polícia Civil, Guarda Municipal, Corpo de Bombeiros e SAMU foram ao local.
Hipótese da Polícia Civil
A Polícia Civil de Santa Catarina trabalha na hipótese de que os jovens morreram por intoxicação por monóxido de carbono, por terem ficado dentro do veículo fechado. O vazamento teria sido causado por uma customização no cano de descarga do carro, a fim de deixá-lo mais barulhento.
Um vídeo feito por um perito da PCSC mostra uma fresta entre o cano de escape e o motor, por onde o gás poderia ter saído. Por causa do buraco, o gás carbônico não saiu do carro e ficou no capô, e, devido ao ar-condicionado, acabou indo para dentro do veículo.
Velório e sepultamento
Os corpos ainda estão a caminho de Paracatu, e devem chegar no início desta noite. Eles serão velados no ginásio do Jockey Club da cidade e serão sepultados na manhã de quinta-feira (4).
Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.
Jornalista formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Na Itatiaia desde 2008, é "cria" da rádio, onde começou como estagiário. É especialista na cobertura de jornalismo policial e também assuntos factuais. Também participou de coberturas especiais em BH, Minas Gerais e outros estados. Além de repórter, é também apresentador do programa Itatiaia Patrulha na ausência do titular e amigo, Renato Rios Neto.

