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Médico é preso por morte de mulher durante lipoaspiração no Rio de Janeiro

Segundo as investigações, Lindama Benjamin de Oliveira, de 58 anos, que pagou R$ 16 mil pela lipoaspiração, teve uma perfuração no intestino com hemorragia

Por e 
Reprodução Redes Sociais

A Polícia Civil do Rio prendeu na manhã desta quinta-feira (11), o cirurgião plástico Heriberto Ivan Arias Camacho, responsável pela morte de uma mulher que fez um procedimento de lipoaspiração com ele.

O mandado de prisão contra Heriberto foi expedido nesta quarta-feira (10), e nas primeiras horas desta quinta-feira, os policiais da Delegacia de Copacabana saíram para prender o médico, que estava em casa, na Freguesia, Zona Oeste do Rio. O caso aconteceu em março do ano passado.

Segundo as investigações, a empresária Lindama Benjamin de Oliveira, de 58 anos, que pagou R$ 16 mil pela lipoaspiração, fez o procedimento na Clínica Vitée Cirurgia Plástica e Estética, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, mas teve complicações logo após a cirurgia. Mesmo assim, ela permaneceu na clínica que não tinha CTI e nem recursos para socorrer a paciente em caso de intercorrências.

Uma enfermeira que trabalha na clínica há cerca de quarto meses, contou em depoimento que informou a Heriberto sobre a necessidade de remoção da paciente, mas que o médico foi debochado com ela. Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público do estado, a paciente, que chegou na clínica por volta das 10h30, só foi transferida para outra unidade à noite, quando já estava em estado grave.

“Somente depois de muita insistência dos agentes de saúde da Clínica, e quando o quadro clínico de Lindama já se mostrava praticamente irreversível, o denunciado Heriberto, por volta das 21 horas do dia seguinte, promoveu os contatos necessários para transferência da paciente a um hospital de grande porte.“

Lindama foi encaminha para o Hospital Semiu, na Zona Norte da capital fluminense, mas teve uma parada cardíaca e morreu na ambulância à caminho da unidade.

Segundo o laudo do IML, Lindama teve uma perfuração no intestino e hemorragia.

“A causa morte foi peritonite por perfuração intestinal e hemorragia; ferimentos perfuroincisos na pele do tronco e perfuração de planos profundos, sendo o instrumento ou meio que produziu a morte, ação perfuroincisa de acesso cutâneo e de perfuração em planos abaixo da pele”, diz o laudo.

No pedido de prisão, a juíza Tula Correa Mello destacou que Heriberto, “de forma livre e consciente, no exercício de sua profissão de médico, assumiu o risco de matar Lindama Benjamin Oliveira do Nascimento, de 58 anos de idade, causando-lhe as lesões corporais descritas nos exames de necropsia inicial e complementar, no exame histopatológico e demais laudos complementares acostados no bojo da investigação, as quais foram a causa única e eficiente de sua morte”.

Na época do ocorrido, fiscais da vigilância sanitária da Prefeitura do Rio inspecionaram a clínica e constataram que o local não possuía documentação necessária para funcionar da forma que vinha atuando, sendo interditada tanto pelo Instituto Municipal de Vigilância Sanitária (IVISA – RIO) e pela polícia, para que fosse complementada à perícia requisitada. Na ocasião, o diretor médico da clínica, Dr. Iovanni Villabona Esparza, foi preso em flagrante pela prática de crime contra as relações de consumo.

O advogado Jairo Magalhães, que defende a família de Lindama, ressaltou que o médico é alvo de outras investigações.

“É importante esclarecer que, além deste caso, Heriberto já possui outras duas investigações por morte e outras por lesões corporais a outras pessoas. A família recebe essa notícia como o início de uma justiça.”

No site do Cremerj, o registro de Heriberto aparece como ativo. Jairo contou que dois meses após o ocorrido entrou com pedido para suspender o registro do médico, mas não teve retorno.

“Nós, que somos advogados da família, ingressamos no Cremerj com esta informação no mês de maio de 2023 sem termos nenhum tipo de notícia a respeito de procedimento administrativo junto ao Cremerj. Isso fica como um alerta não só para a família da Lindama, para os amigos, mas para toda a sociedade. Esperamos a justiça, e que o Eriberto seja julgado e na medida da sua culpabilidade o mesmo responda por todos esses atos. “

Por meio de nota, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro disse que o caso ocorre em sigilo. Veja a nota na íntegra.

“Com relação ao caso, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) informa que existe processo em andamento. O mesmo corre em sigilo, seguindo os ritos do Código de Processo Ético-Profissional. O Cremerj também esclarece que todos os prazos processuais devem ser cumpridos para garantir a legalidade do procedimento, conforme determina o Código. As sanções vão de advertência até cassação do registro.”

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Diana Rogers tem 34 anos e é repórter correspondente no Rio de Janeiro. Trabalha como repórter em rádio desde os 21 anos e passou por cinco emissoras no Rio: Globo, CBN, Tupi, Manchete e Mec. Cobriu grandes eventos como sete Carnavais na Sapucaí, bastidores da Copa de 2014 e das Olimpíadas em 2016.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.