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Idoso desaparecido é encontrado morto nos fundos de clínica de reabilitação em SP

Homem estava sumido há dias e fazia tratamento no local; caso é investigado pela polícia

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Segundo a polícia o corpo de Robson Costa foi encontrado nos fundos da clínica em estado de decomposição
Segundo a polícia o corpo de Robson Costa foi encontrado nos fundos da clínica em estado de decomposição • Redes Sociais

A polícia investiga a morte de um idoso encontrado sem vida na tarde desta quinta-feira (26), nos fundos da clínica Renovar Vidas, local de reabilitação para dependentes químicos, em Itapecerica da Serra, região metropolitana de São Paulo.

Segundo a filha, Lucimeire Costa, ele estava internado desde o dia 13 de maio. Robson de Carvalho Costa, de 63 anos, havia se internado por livre e espontânea vontade. De acordo com o contrato, o tratamento teria duração de três meses, ao custo total de R$ 3 mil.

A família explicou que a primeira visita estava marcada para o dia 15 de junho, mas no dia 12, o diretor da clínica, Márcio Mota, ligou para informar que Robson havia quebrado o portão e fugido com outro paciente, um jovem de 23 anos. A versão, no entanto, não convenceu Lucimeire, já que o pai estava debilitado e pesava apenas 52 kg.

"Foi essa a ligação do dono da clínica: que ele fugiu, quebrou o portão, e não nos comunicou mais nada", relatou Lucimeire.

Em conversa com a mãe do jovem, a família soube que os dois teriam fugido juntos na mesma data e que o rapaz teria levado Robson até a linha do trem de cargas com destino a Santos, cidade onde o idoso morava com a família.


A Associação Renovar Vidas fica em Itapecerica da Serra, região metropolitana de SPA filha disse à Itatiaia que no dia seguinte ao desaparecimento, 13 de junho, esteve na clínica para entender o que tinha acontecido com seu pai.

O dono da clínica disse que não tinha imagens da área de mata por onde o idoso teria fugido:

"Após as explicações os pertences do meu pai já estavam prontos, nos entregaram, e de lá nos dirigimos para fazer um boletim de ocorrência como desaparecimento", Lucimeire ainda afirmou que o pai não tinha histórico de fugas.

As buscas pelo idoso começaram por conta dos familiares que quase todos os dias realizavam o trajeto Santos - Itapecerica, em busca de câmeras dos vizinhos, imagens, distribuição de fotos através das redes sociais, buscas em hospitais e IML.

Na quinta-feira (26) o próprio dono da clínica ligou para a mulher de Robson, mãe de Lucimeire, para dizer que um dos funcionários encontrou o corpo de Costa, estava dentro da clínica na parte de trás, em uma área, que segundo a filha, era de fácil acesso.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a Polícia Civil investiga a morte do idoso. A perícia foi acionada, e o caso, registrado na delegacia da cidade, que realiza diligências visando o devido esclarecimento dos fatos.

O corpo estava em estado de decomposição, de bruços próximo a um córrego.

Em nota, a Associação Renovar Vidas disse que as buscas não foram bem-sucedidas em razão do local de difícil acesso e da divergência nas informações fornecidas, especialmente pelo áudio do acolhido de 23 anos que indicava um ponto distante da área onde o corpo foi localizado.

O dono da clínica é Márcio Moura, nas redes sociais se identifica como técnico de reabilitação em dependência química, terapeuta e bombeiro.


Gestor da Associação Renovar Vidas, Márcio MouraA associação também afirmou ter todas as licenças exigidas por lei:

"Todos os fatos aqui relatados estão documentados por meio de registros fotográficos, boletins de ocorrência e arquivos de áudio. Desde o desaparecimento, em 12 de junho de 2025, mantemos acompanhamento constante e comunicação direta com a família".

Até o fechamento esta matéria, noite de sexta-feira (27), o corpo de Robson Costa não havia sido liberado, a família aguardava a liberação para o velório e o sepultamento que deverá acontecer em Santos, cidade onde o idoso morava e a família reside.

Nota da Associação Renovar Vidas na íntegra:

"Durante a permanência do Sr. Robson, foram mantidos contatos com sua esposa, incluindo o agendamento de uma visita para o dia 15 de junho de 2025. No entanto, em 12 de junho de 2025, durante o período da tarde, o Sr. Robson e outro acolhido, de 23 anos, optaram por não participar da atividade em grupo, permanecendo em seus aposentos. Ao final da atividade, constatamos que ambos haviam deixado as dependências da comunidade, possivelmente por uma das saídas secundárias, que se mantêm abertas em razão das normas que garantem a liberdade do acolhido.

Informamos imediatamente à esposa do Sr. Robson e o pai do outro acolhido, e nossa equipe iniciou buscas nas imediações e áreas de mata, encontrando indícios de passagem de pessoas, embora sem sucesso na localização de ambos. Ainda no mesmo dia, o outro acolhido retornou à sua residência e fomos informados por seu pai.

Após 24 horas do desaparecimento, registramos boletim de ocorrência relatando os fatos. No dia 13 de junho de 2025, recebemos a visita da Sra. Theia, de sua filha e de seu genro, aos quais prestamos novos esclarecimentos sobre os fatos. A própria família também lavrou boletim de ocorrência.

No domingo, dia 15 de junho de 2025, por volta das 8h, recebemos um áudio enviado pelo acolhido de 23 anos à esposa do Sr. Robson, no qual relatava que a fuga foi uma decisão sua e que o Sr. Robson o acompanhou voluntariamente. Ele afirmou ter ajudado o Sr. Robson atravessou a mata, deixando-o posteriormente nas proximidades da linha férrea com destino à cidade de Santos.

Com base nesse relato, realizamos, no dia seguinte (16/06/2025), buscas ao longo da linha ferroviária até a base da Guarda Ferroviária, onde fomos informados de que ninguém com as características descritas havia sido avistado. Compartilhamos imagens dessas diligências com a família e fizemos novo boletim de ocorrência, o terceiro, desta vez incluindo fotos e o relato de uma moradora da região, que reconheceu o acolhido de 23 anos e afirmou tê-lo visto sozinho, o que contradiz parcialmente o áudio enviado.

Ainda em 16 de junho, buscamos apoio junto ao 18º Grupamento de Bombeiros de Itapecerica da Serra, onde fomos atendidos pelo Sargento Pirolla. Ele nos informou que levaria o caso ao conhecimento de seus superiores. Registramos essa visita com fotografias, que foram igualmente enviadas à família.

Na manhã do dia 26 de junho de 2025, o coordenador da comunidade, Sr. Wianey – funcionário com seis anos de atuação na instituição – ao adentrar uma área de mata nos fundos da comunidade para coleta de frutas, identificou algo incomum e, ao se aproximar, suspeitou tratar-se de um corpo humano, dada a baixa visibilidade local. De imediato, acionou a Polícia Militar (via 190) e a delegacia local. Após o comparecimento das autoridades e apresentação dos boletins de ocorrência e documentos do Sr. Robson, foi confirmado que se tratava do acolhido desaparecido. O Instituto de Criminalística foi chamado e, devido à dificuldade de acesso ao local, o Corpo de Bombeiros foi acionado para remoção do corpo.

Reiteramos que nossas buscas não foram bem-sucedidas em razão do local de difícil acesso e da divergência nas informações fornecidas, especialmente pelo áudio do acolhido de 23 anos que indicava um ponto distante da área onde o corpo foi localizado.

Nossa instituição possui todas as licenças exigidas por lei, incluindo alvará sanitário, alvará de funcionamento, AVCB e equipe técnica completa. Somos uma associação sem fins lucrativos, que atua com transparência e respeito aos direitos dos acolhidos, como pode ser verificado em nossas avaliações públicas e redes sociais.