Gêmeos separados e briga na Justiça: o que se sabe sobre bebês trocados em hospital de AL
A administração do hospital, onde os bebês nasceram, informou que está colaborando com as autoridades; determinação é de que as famílias se encontrem de 15 em 15 dias

A história da família de Débora, Suelson e Maria Aparecida mudou completamente após um vídeo postado nas redes sociais. Nele, aparece uma criança de dois anos. O caso que aconteceu em Alagoas e nele, um menino era idêntico a outro da mesma região. Uma das mães investigou e descobriu: uma troca na maternidade aconteceu e separou os gêmeos.
Os pais Débora e do Suelson, agricultores de São Sebastião, no agreste Alagoano, passaram por um nascimento antecipado. Ela desenvolveu pressão alta e precisou ser encaminhada para um hospital maior em Arapiraca. Os gêmeos Guilherme e Gabriel nasceram prematuros, no dia 21 de fevereiro de 2022 e precisaram ficar alguns dias na UTI para ganhar peso. Na época, devido aos casos de Covid, o hospital informou que os bebês não poderiam receber visitas.
“Eu até pensei que eu iria todos os dias para amamentar, mas não fui. O pediatra, me ligava e passava o relatório de como eles estavam”, lembra a mãe das crianças, em entrevista ao Fantástico, nesse domingo (16).
“Quero trazer o Bernardo de volta pra casa, porque o Gabriel precisa dele e ele precisa do Gabriel, eles são gêmeos. O Gabriel nunca foi de se socializar com outras crianças, e depois que ele viu o Bernardo ele mudou 100%. Eu nunca vi ele tão feliz”, disse Débora, que luta na Justiça pela guarda da criança.
"Ele tem uma doença rara dos ossos, tumores pelo corpo todo, interno e externos. E assim, ele sofre com isso, às vezes ele tem caibras por toda a parte do corpo", completa ela.
O vídeo da criança e a escolha da mãe de não trocar
As crianças cresceram e fizeram dois anos. Foi quando uma amiga da Débora compartilhou com ela um vídeo que tinha visto na internet. Era Bernardo, filho da Maria Aparecida, que mora em Craíbas – cidade próxima de São Sebastião.
“Eu fiquei tão atordoada. Postei um vídeo, o vídeo dele na creche rezando e postei um vídeo chorando: 'Vocês me perguntando se esse menino é o Gabriel, mas não é o Gabriel. Estou emocionada porque o menino é idêntico ao Gabriel’”, conta a Maria Aparecida.

Ambas concordaram em fazer um teste de DNA. O resultado: positivo. O DNA de Bernardo é compatível com o da Débora e do marido, portanto ele é irmão de Gabriel. Já o de Guilherme corresponde ao de Maria Aparecida.
"No início eu não tive momentos de estar pegando ele no braço por conta do problema dele. Mas depois fui me acostumando e fui pegando ele no colo e dando carinho. Se eles falarem para destrocar, eu destrocaria. Mas não tem como, o Bernardo já está acostumado conosco, ele não ia acostumar com ele lá. E o Guilherme não ia acostumar com eles lá", finaliza ela.
Decisão judicial
Foi definido pela Defensoria Pública, que as mães devem permanecer com as crianças que saíram com elas da maternidade, mas manter uma relação próxima com os filhos biológicos.
Até a decisão da justiça, todos terão que aguardar para saber o destino das crianças. Por enquanto, os bebês visitam suas famílias biológicas a cada 15 dias.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.



