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Ex-deputada retirada de voo após usar almofada se revolta : 'Uma barbaridade'

Célia Leão, cadeirante há 50 anos, afirma ter sido desrespeitada por tripulação da Gol ao tentar embarcar para Buenos Aires

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Célia Leão não pôde voar devido a almofada ortopédica • Reprodução/ Redes sociais

A ex-deputada estadual Célia Leão, atual secretária de Desenvolvimento Social e Habitação de Valinhos (SP), foi impedida de embarcar em um voo da companhia Gol, no Aeroporto Internacional de Guarulhos., na última quinta-feira (1º). Cadeirante há cinco décadas, Célia relatou que a recusa da companhia se deu por conta do uso de uma almofada ortopédica, item essencial para seu conforto e mobilidade. A situação, que classificou como “uma barbaridade”, causou constrangimento e atraso para todos os passageiros a bordo.

O episódio ocorreu no voo G3 7665, com destino a Buenos Aires, na Argentina. Segundo a ex-parlamentar, a almofada — que ela descreve como parte do próprio corpo, por substituir a falta de musculatura na região das nádegas — foi considerada pela tripulação como um item não autorizado, por supostamente representar risco à segurança.

“Essa almofada é o meu bumbum. Eu não posso sentar num lugar duro”, afirmou Célia. Mesmo após explicar sua condição, a comissária teria reagido de forma ríspida e, segundo ela, “quase que fez um escândalo”. A ex-deputada também criticou a recusa do comandante em conversar com ela pessoalmente, considerando a postura “inaceitável”.

Apesar de já ter utilizado a mesma almofada em voos anteriores, inclusive da própria Gol, sem qualquer impedimento, Célia foi obrigada a deixar a aeronave. Ela destacou que nunca precisou apresentar laudos médicos para justificar o uso do acessório. Em nota inicial, a companhia aérea alegou a ausência do formulário MEDIF (declaração médica para passageiros com necessidades especiais) como justificativa para o acontecido.

Com a retirada da passageira, todos os ocupantes do avião precisaram desembarcar, provocando um atraso de cerca de 40 minutos. Célia se disse humilhada e mal atendida. Após a retirada, sua filha — que seguiria viagem a trabalho — embarcou sozinha, mas a bagagem de ambas foi retirada e não devolvida de imediato, segundo o relato.

A Gol autorizou o embarque da ex-deputada apenas no dia seguinte, após nova avaliação médica e apresentação do formulário exigido. A empresa afirmou ter prestado assistência e lamentado os transtornos, mas Célia considerou a postura da companhia “maliciosa” e disse não ter recebido sequer um pedido formal de desculpas.

Pedido de tutela de urgência

Em busca de reparação, ela entrou com pedido de tutela de urgência no Tribunal de Justiça de São Paulo no sábado (3), solicitando realocação em voo, estadia, alimentação e garantia de acessibilidade. A Justiça, no entanto, negou a solicitação, por entender que o caso não se enquadrava nas hipóteses de urgência previstas para o plantão judiciário.

Célia Leão reforça que o caso não é apenas pessoal. Para ela, o que aconteceu representa uma violação de direitos que precisa ser denunciada: “Quando um direito não é respeitado para uma pessoa, ele também não é respeitado para toda a sociedade”.

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Izabella Gomes se graduou em Jornalismo na PUC Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias de Educação e Saúde.